Category Archives: Artesanato

Divisa de AL com PE se transforma em tabuleiro de cores e sabores
   Severino  Carvalho  │     29 de novembro de 2016   │     6:00  │  0

Dona Isabel e seu banca de frutas (Fotos: Severino Carvalho)

Dona Isabel e sua banca de frutas (Fotos: Severino Carvalho)

Frutas, doces, broas, peças artesanais, bolachas, passas… As margens da rodovia AL-101 Norte, em Maragogi, se transformam num grande tabuleiro de cores, aromas e sabores durante o verão. É dessa forma que Alagoas se apresenta aos que chegam ao Estado pela divisa com Pernambuco. O comércio de ambulantes ali movimenta a economia da região, reunindo vendedores locais e das cidades de Barreiros (PE) e São José da Coroa Grande (PE).

Todos os dias – há mais de 10 anos – Edjane dos Santos, 36, atravessa a ponte sobre o Rio Persinunga, marco natural que divide os dois Estados, para vender doces no distrito de Peroba, em Maragogi, à margem da AL-101 Norte. O labor diário e o pioneirismo no ramo lhe renderam o codinome de “Rainha da Cocada”, que carrega com orgulho no fardamento e no carrinho adesivado, recém-adquirido.

Diferentemente da maioria dos vendedores, Edjane produz e comercializa suas próprias cocadas. Aprendeu a arte de fazer os doces com a mãe, dona Leonarda Batista Rodrigues, uma pernambucana de 68 anos, moradora de São José da Coroa Grande.

Edjane, a "Rainha da Cocada"

Edjane, a “Rainha da Cocada”

“Minha mãe que começou com isso aqui, deu emprego a muitos desses vendedores, mas hoje só eu vendo as cocadas que ela e eu fazemos”, conta Edjane, que chega a comercializar mais de 200 unidades por dia.

A cocada é doce, chega a derreter na boca, mas o trabalho dos vendedores não é moleza. Faça chuva ou faça sol, lá está Cícera Maria da Silva Santos, 28, à margem da AL-101 Norte. O tabuleiro repleto de cocadas se movimenta por meio das pernas ligeiras da vendedora que, ao primeiro sinal do cliente, dispara como uma flecha para oferecer o produto.

Os inúmeros quebra-molas existentes na AL-101 Norte, perto da divisa com Pernambuco, jogam a favor do time de vendedores de guloseimas. Por causa dos obstáculos, os motoristas são obrigados a reduzir a velocidade e logo são atraídos. Pela janela do automóvel entra cocada e sai dinheiro vivo.

“Eu não faço a cocada; compro de uma mulher que faz aqui mesmo em Peroba, a R$ 1,00 cada uma e revendo por R$ 2,00. É uma boa margem de lucro, mas tem que correr muito, debaixo do sol. Por isso, uso essas roupas de manga comprida, boné e protetor solar. Tem de se proteger”, conta Cícera Maria, rosto suado.

Peroba é parada sagrada no fim das missões do pastor evangélico José Amaro de Barros, que se movimenta semanalmente entre Alagoas e Pernambuco. Cliente fiel, ele não dispensa o doce.

“O que me faz parar e comprar é o sabor diferenciado, a qualidade desta cocada. Gosto mesmo da tradicional, de coco”, confessa o pastor. E a viagem segue açucarada, mais tranquila.

Frutas da estação

Frutas 1

Frutas da estação postas à venda

“No matinal, a merenda recomenda ser só frugal…”, já cantava o cantor, compositor e violeiro baiano Eugênio Avelino, popularmente conhecido como Xangai. Então, se o cliente apressado que passa pela AL-101 Norte está de dieta, o grande tabuleiro em que se transformou Peroba oferece as frutas da estação: manga, caju, jambo, mangaba…

Com filhos e netos em cachos, a professora Maria Isabel da Silva, 58 anos, é o esteio da casa. Mestra por formação, vendedora por necessidade, ela tira das frutas o sumo que faltava para completar a renda.

“Eu tenho um cesto de samburá (cipó) cheio de netos”, brinca a sempre bem-humorada professora, que divide a banca de madeira com a nora, à margem da AL-101 Norte. Esta comercializa peças artesanais. “Todo verão eu estou aqui, vendendo minhas manguinhas. Devo me aposentar já, já, mas não vou deixar isso aqui. Preciso manter a casa”, conta a voluntariosa Maria Isabel.

Clientes não faltam, sobretudo na alta estação. Peroba possui uma das faixas de praia mais bonitas do Nordeste e atrai turistas e veranistas de várias partes do Brasil, inclusive do exterior.

“De dezembro a janeiro, o movimento melhora e muito por causa temporada de verão. É tempo de faturar com os veranistas”, conta, toda satisfeita, dona Isabel.

Pernambucana de Barreiros, a dona de casa Poliana Sanguinette não resistiu às mangas expostas. Estacionou o carro em busca de uma informação acerca do endereço de uma fazenda e saiu de lá com um pacote de mangas nas mãos. “Eu não sei explicar, só sei que a manga da praia é mais saborosa”, afirmou Poliana.

O doce amargo

Cícera Maria chega a vender 100 cocadas por dia à margem da AL-101 Norte

Cícera Maria chega a vender 100 cocadas por dia à margem da AL-101 Norte

Mas nem tudo é doçura à margem da AL-101 Norte. A vendedora Joseane Rosa, 23, reclama da falta de incentivo e apoio por parte do poder público aos que comercializam produtos na divisa de Alagoas com Pernambuco. Ela cobra, por exemplo, a realização de cursos de capacitação e a padronização das barracas.

“Peroba é esquecida. Não chega nada aqui, nem curso, nada”, desabafou a garçonete que perdeu o emprego recentemente e encontrou na informalidade da venda de frutas e bolinhos de goma o sustento provisório. “Eu vendo R$ 40, R$ 50 por dia. Dá para eu ir comprando minhas roupas, minhas coisas”, afirmou a jovem.

Outro problema enfrentado pelos vendedores de frutas de Peroba é a escassez de matéria-prima. Cajueiros e mangabeiras estão sendo dizimados pela gula do mercado imobiliário. As frutas que antes eram colhidas nos sítios da região começam a ser compradas em mercados como Caruaru e Recife, em Pernambuco, e revendidas em Peroba.

“Caju e mangaba quase não existem mais. Estão acabando com os sítios para vender lotes, fazer casas. Caju, mesmo, quase que não tem. As pessoas estão comprando até do Ceará para revender aqui”, revelou a vendedora Ivanilda Maria dos Santos, 47.


Fonte: Gazeta de Alagoas

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Costa dos Corais participa da exposição Alagoas é Muito Mais
   Severino  Carvalho  │     11 de outubro de 2016   │     9:24  │  0

Costa dos Corais participa da exposição por meio de parceria entre a Sedetur, CCCVB e Secretaria Municipal de Turismo (Foto: divulgação)

Costa dos Corais participa da exposição por meio de parceria entre a Sedetur, o CCCVB e a Secretaria Municipal de Turismo de Maragogi (Foto: divulgação)

As belezas naturais e a riqueza cultural do Litoral Norte de Alagoas integram a segunda etapa da exposição “Alagoas é Muito Mais”, no Parque Shopping, no bairro de Cruz das Almas, em Maceió. A mostra foi aberta na segunda-feira (10), promovida pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur).

O objetivo é potencializar a divulgação dos destinos de Alagoas, além de aproximar o público da história e das particularidades do Estado. A participação do Litoral Norte acontece em parceria com o Costa dos Corais Convention & Visitors Bureau (CCC&VB) e a Secretaria Municipal de Turismo de Maragogi.

“A mostra apresenta os principais produtos turísticos do litoral: atrativos, infraestrutura, serviços e artesanato. Ficará no Parque Shopping durante todo o mês de outubro”, informou o diretor-executivo do CCC&VB, Renato Lobo.

Ao todo, o público poderá ver 20 fotos que mostram as belezas e a cultura presentes no litoral. A exposição apresenta ainda peças produzidas por artesãos alagoanos. Entre agosto e setembro deste ano, foi montada uma exposição que retratou a região turística conhecida como “Caminhos do São Francisco”. Segundo a Sedetur, as mostras seguem para outros shoppings da Rede Aliansce espalhados pelo Brasil.

Exposição acontece no

Exposição acontece no Parque Shopping, em Maceió (Foto: Jonathan Lins / Sedetur)

“O intuito dessa série de exposições é mostrar todo o potencial turístico que Alagoas possui, não apenas para visitantes, mas, também, para os próprios alagoanos. O turismo interno é muito relevante para nós e aproximar o povo de sua cultura é fundamental. Além disso, queremos que o público de fora viva uma verdadeira experiência quando vem para Alagoas. Por isso estamos levando essas exposições para outras cidades como Belém, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Helder Lima.


Com informações da Sedetur

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Missão Maragogi fortalece o turismo rural em Alagoas e Roraima
   Severino  Carvalho  │     28 de agosto de 2014   │     17:54  │  0

Trilha do Visgueiro, uma das atrações do Núcleo do Turismo Rural de Maragogi (Foto: Severino Carvalho)

Trilha do Visgueiro, uma das atrações do Núcleo do Turismo Rural de Maragogi (Foto: Severino Carvalho)

Promover a troca de experiências entre os protagonistas do turismo rural de Alagoas e de Roraima. Este é o objetivo da Missão Maragogi, promovida pelo Sebrae dos dois Estados, em parceria com o Costa dos Corais Convention & Visitors Bureau (CCCVB) e Cooperativa dos Pequenos Agricultores Organizados (Coopeagro).

O evento foi iniciado na terça-feira (26) com uma visita técnica à Fazenda Lavragem e ao Engenho Genipapo, que integram o Núcleo do Turismo Rural de Maragogi.

“Objetivo é fazer com que o turismo rural nesses dois pontos tão distintos seja um produto realmente reconhecido como um produto de mercado. A experiência lá é mais recente. Podemos dizer que a experiência aqui (Maragogi) é exitosa e que juntas podem transformar o País famoso na ruralidade”, avaliou Andreia Roque, consultora do Instituto de Desenvolvimento do Turismo Rural e Equestre (Idestur).

Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, faz parte do seleto time de 24 roteiros turísticos nacionais que integram o Programa Talentos do Brasil Rural. Criado em outubro de 2009, o Programa é resultado do Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério do Turismo (Mtur), o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Sebrae.

Foi dessa forma que nasceu o Núcleo do Turismo Rural de Maragogi. São três os produtos oferecidos que misturam ecoturismo, agroturismo e história. “Nesse sentido é uma economia que se espalha numa forma de rede, favorecendo todo mundo que trabalha e tem algum produto para oferecer na área rural”, destacou a colaboradora da Coopeagro, missionária Mirian Zendrom.

A proposta inova ao estabelecer novos roteiros numa cidade onde a atividade turística é lastreada apenas no turismo de sol e mar.

“A gente esta vindo visitar Maragogi através de uma recomendação da consultora Andreia Roque. Umas das ações são as realizações das missões técnicas a destinos que a gente acha que tenha alguma semelhança e que possa contribuir conosco, num troca de informações”, explicou Hélio Zanona, do Sebrae de Roraima.

De acordo com ele, o turismo rural se desenvolve naquele Estado em dez pequenas propriedades, a maioria em fase inicial de estruturação. “Estamos na etapa de capacitação do projeto, tanto na área de atendimento, de cooperativismo, como na formação e administração de preços. Vamos nos preparar para que em 2015 possamos entrar numa fase de promoção, com todo mundo preparado, as comunidades sinalizadas”, almeja.

Andréa esteve em Maragogi para acompanhar evolução do programa (Foto: Carlos Rosa)

Andreia Roque aposta na troca de informações entre os dois destinos para fortalecer o turismo rural no Brasil  (Foto: Carlos Rosa)

A Missão Maragogi prosseguiu na quarta-feira (27) com a realização da Trilha do Visgueiro num remanescente de mata atlântica do Assentamento Água Fria, atrativo que deu origem ao Núcleo de Turismo Rural de Maragogi. Os participantes também conheceram o artesanato produzido pela Associação Mulheres de Fibra.

À tarde, houve apresentação na sede da Coopeagro sobre as experiências vivenciadas em Maragogi e em Roraima. Nesta quinta-feira (28), a Missão fez visita técnica ao Assentamento Bom Jesus. Uma reunião do grupo de empresários de Roraima e técnicos da Missão foi promovida para avaliar a atividade e identificar as metas a serem cumpridas.

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Maragogi ganha Núcleo do Turismo Rural
   Severino  Carvalho  │     19 de maio de 2014   │     21:23  │  1

Avestruzes na Fazenda Lavragem (Fotos: Guilherme Artigas)

Avestruzes na Fazenda Lavragem (Foto: Guilherme Artigas)

Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, faz parte do seleto time de 24 roteiros turísticos nacionais que integram o Programa Talentos do Brasil Rural. No total, são 54 municípios brasileiros localizados no entorno das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de Futebol que, durante o torneio internacional, vão receber fluxo turístico.

Criado em outubro de 2009, o Programa é resultado do Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério do Turismo (Mtur), o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Sebrae. O objetivo é implementar ações conjuntas que busquem identificar, ordenar, promover e fortalecer a relação entre a agricultura familiar e a atividade turística.

Maragogi se beneficiou da proximidade com Recife. São apenas 130 km de distância entre o segundo polo hoteleiro de Alagoas e a sede pernambucana da Copa do Mundo. Como um centroavante habilidoso, a Cooperativa dos Pequenos Agricultores Organizados (Coopeagro) vislumbrou a defesa aberta, adentrou a área e marcou um gol de placa, em favor da agricultura familiar.

Foi a Coopeagro, gerida pela Associação das Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus, que lançou a proposta para participar do programa por meio de chamamento público realizado pelo Sebrae do Rio Grande do Sul. Há cerca de dois anos, os integrantes da cooperativa vêm recebendo treinamento ofertado por técnicos do Sebrae.

O projeto ganhou corpo e de roteiro se transformou em Núcleo do Turismo Rural de Maragogi. São três produtos oferecidos que misturam ecoturismo, agroturismo e história. A proposta inova ao estabelecer novos roteiros numa cidade onde a atividade turística é lastreada apenas no turismo de sol e mar.

“Aqui eu costumo falar que eles estão fora da curva, porque existe um número grande de pessoas envolvidas. Esses roteiros têm aproximadamente, entre empresários, proprietários rurais, agricultores familiares, umas 100 pessoas envolvidas. Mais que um roteiro é um núcleo de turismo rural estabelecido”, salientou a consultora Andréa Roque, do projeto Talentos do Brasil Rural.

Plano de comunicação

Andréa esteve em Maragogi para acompanhar evolução do programa (Foto: Carlos Rosa)

Andréa esteve em Maragogi para acompanhar evolução do programa (Foto: Carlos Rosa)

O plano de comunicação, formatado para o Programa Talentos do Brasil Rural, foi lançado, em Brasília, durante solenidade que contou a presença do ministro do Turismo, Vinícius Nobre Lages, em abril. Segundo a consultora Andréa Roque, o plano foi elaborado pelas assessorias do Sebrae e dos dois ministérios envolvidos no projeto.

“O projeto nasceu para a Copa do Mundo. Ele entra agora na fase de promoção oficial internacional. Existem dois formatos dessa divulgação: um é o material promocional internacional que vai ser entregue à imprensa estrangeira e às delegações. A outra serão ações de fampress com esses jornalistas internacionais para que conheçam os destinos e gerem mídia”, revelou Andréa.

Os turistas internacionais e regionais que estarão nas cidades-sede durante o torneio de futebol também receberão material de divulgação dos destinos e serão convidados a conhecer os Talentos do Brasil Rural.

“Os turistas que estarão em Recife durante a Copa terão informações sobre o roteiro disponibilizadas. Não existe nenhuma ação para trazê-los fisicamente. Temos uma agência operando neste sentido, mas isso é uma questão empresarial”, destacou a consultora.

Muito se fala do legado da Copa do Mundo e certamente o Talentos do Brasil Rural será um deles, na avaliação de Andréa. Segundo ela, a meta com o programa é gerar fluxo turístico aos municípios que serão beneficiados pelos próximos cinco anos. O turismo não será apenas durante a Copa. O turista vai retornar depois. Essa vai ser a lógica. Nós vamos embora, e o projeto fica”, destacou.

Além do sol e do mar

Almoço no Cabos Agritur, no Assentamento Bom Jesus (Foto: Divulgação)

Almoço no Cabos Agritur, no Assentamento Bom Jesus (Foto: Divulgação)

Os atrativos do Núcleo do Turismo Rural de Maragogi estão montados sobre um tripé: o ecoturismo, o agroturismo e o turismo histórico. No assentamento Água Fria, o visitante poderá caminhar pela Trilha do Visgueiro, com árvores centenários e frondosas; no Bom Jesus, conhecer a produção da agricultura familiar e provar da culinária regional; nas fazendas Lavragem e Jenipapo, viajar no tempo até o início do século 19, quando foi travada a Guerra dos Cabanos (1832 e 1836), movimento restaurador cujo objetivo era restituir ao trono do Brasil o imperador dom Pedro I.

Em abril, a missionária Miriam Zendron, colaboradora da Cooperativa dos Pequenos Agricultores Organizados (Coopeagro), acompanhou um grupo de italianos até o assentamento Bom Jesus, onde vivem 105 famílias de agricultores da reforma agrária. O núcleo rural é um dos mais viçosos e produtivos de Maragogi.

Segundo a missionária, que também é italiana e mora em Maragogi desde a década de 1990, os visitantes gostaram do que viram, ouviram e sentiram, numa perfeita integração de culturas. “Enquanto a dona da casa cozinhava uma galinha caipira, os europeus preparavam uma polenta. O cruzamento dos sabores autênticos foi realmente perfeito e o povo foi embora satisfeito”, contou Miriam.

Ao chegar ao assentamento Bom Jesus, o visitante é convidado a fazer um passeio num “trenzinho” puxado por um trator. De casa em casa, de lavoura em lavoura, eles vão descobrindo como é o dia a dia do homem do campo, provando dos sabores frugais da estação.

“O Bom Jesus tem a característica de ter muitos morros. Em cada morro, tem pelo menos um ou dois agricultores que valem a pena visitá-los. São criadores de codorna, fazedores de um bolo maravilhoso de massa puba, no forno à lenha. Sobretudo, para o estrangeiro, é interessante entrar no campo e ver como nasce um abacaxi no coração da planta, como se desenvolve um cacho de banana”, observou Miriam.

O trabalhador rural Rivaldo Vasconcelos, 43 anos, montou uma pequena estrutura para receber os visitantes ao lado da casa dele. Batizou o local de Cabanos Agritur. O nome rebuscado esconde uma comida aparentemente simples, mas original, saborosa.

“Nós não podemos viver apenas da agricultura. Existem outros caminhos. Se a ideia pegar, isso não será bom apenas para o agricultor familiar, mas para todos os hotéis e pousadas de Maragogi, porque o turista depois de conhecer as praias, vai querer conhecer o campo. Ele terá então de ficar mais três dias hospedados em Maragogi para conhecer nosso roteiro”, salientou Vasconcelos.

Trilha

Trilha do Visgueiro, uma das atrações do Núcleo do Turismo Rural de Maragogi (Foto: Severino Carvalho)

Trilha do Visgueiro, uma das atrações do Núcleo do Turismo Rural de Maragogi (Foto: Severino Carvalho)

Já o passeio pela Trilha do Visgueiro é desenvolvido no Assentamento Água Fria. O roteiro existe desde 2004, criado pela Coopeagro em meio a um basto remanescente de mata atlântica.

“A trilha deveria ser chamada dos visgueiros, no plural, porque são muitos. Ali se pode passear por dentro da mata e se pode gozar de um refrescante banho de bica”, descreve Miriam.

A criação do passeio em 2004 descortinou um Maragogi rural, fértil em atrativos turísticos, mas pouco aproveitado, apresentando-se como uma alternativa ao binômio “sol e mar” que se espraia pelo belo litoral do município.

Gerida em parceria com a Associação das Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus e financiada pela entidade italiana sem fins lucrativos, denominada  “Província Autônoma de Trento”, a Coopeagro capacitou oito agricultores do assentamento, instalou condições básicas de infraestrutura ao longo do trajeto e divulgou o atrativo junto ao trade turístico.

Antes de ingressar na trilha, é possível conhecer também o genuíno artesanato da fibra da bananeira, desenvolvido pela Associação Mulheres de Fibra, formada pelas esposas dos trabalhadores rurais.

Serviço

  • Trilha do Visgueiro / Passeios em Bom Jesus / Fazendas Lavragem e Jenipapo
  • Quem faz: Coopeagro
  • Onde: Sede da cooperativa, rodovia AL-101 Norte, bairro Santa Tereza Verzeri, Maragogi, Alagoas.
  • Contato: (82) 3296-2010
  • Valor: Sob consulta

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Passeio de observação do peixe-boi movimenta turismo comunitário
   Severino  Carvalho  │     14 de janeiro de 2014   │     11:45  │  4

Finalizando a série de postagens sobre o turismo de base comunitária, aqui vai a última parte da reportagem especial produzida para o jornal Gazeta de Alagoas. Boa leitura!

Comunidade ribeirinha lucra com o turismo de observação do peixe-boi marinho em Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres (Fotos: Carlos Rosa)

Comunidade ribeirinha lucra com o turismo de observação do peixe-boi marinho em Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres (Fotos: Carlos Rosa)

Em meio a pousadas requintadas, cuja diária ultrapassa a cifra dos mil reais, se desenvolve o turismo de base comunitária no plácido e belo Litoral Norte de Alagoas. Numa perfeita simbiose entre homem e animal, os ribeirinhos de Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres se utilizam da presença de um bicho rechonchudo e de aparência meiga para lucrar com atividades que vão do turismo de observação ao artesanato, tudo focado na figura do peixe-boi marinho.

A atividade econômica regrada, por outro lado, favorece a preservação do mamífero aquático mais ameaçado de extinção no Brasil. Na APA Costa dos Corais, a espécie encontrou o seu refúgio. Foi no estuário do Rio Tatuamunha, em Porto de Pedras, que o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), instalou o recinto de readaptação do Projeto Peixe-Boi Marinho, em 2008.

Com 30 anos de atuação nas áreas de resgate e reabilitação de filhotes órfãos o projeto tem, desde 1994, realizado a reintrodução e o monitoramento desses animais. Mas a presença dos bichos reintroduzidos no litoral alagoano não foi nada amistosa de início. Os pescadores foram impedidos de pescar nas áreas de ocorrência. Quem insistia, tinha as redes rasgadas pelos animais que chegam a pesar 500 kg e a medir quatro metros. Em retaliação, os ribeirinhos chegavam a espancar o bicho indefeso.

A maré começou a virar quando os moradores passaram a perceber o fascínio que o peixe-boi despertava nos turistas das pousadas instaladas nos dois municípios. Iniciou-se a atividade do turismo em torno do animal, mas de forma desorganizada.

O ICMBIO e o CMA tomaram as rédeas da situação e, através do Ministério Público Federal e Estadual, foi proposto um Temo de Ajustamento de Conduta (TAC) que ordenou a atividade. Os ribeirinhos, então, criaram, em 2009, a Associação Peixe-Boi, que hoje agrega 48 associados – capacitados e credenciados pelo ICMBio. Transformados em condutores e remadores, eles encontraram uma farta fonte de renda, sem deixar suas atividades tradicionais: a pesca e a agricultura.

A bióloga Flávia acompanha o casal de turistas vindo do Mato Grosso durante passeio ao recinto do peixe-boi

A bióloga Flávia acompanha o casal de turistas vindo do Mato Grosso durante passeio ao recinto do peixe-boi

“O turismo de observação do peixe-boi, tirando as pousadas, é o maior gerador de renda nos dois municípios. Muitas pessoas trabalham no turismo de observação e outras conseguem tirar uma renda indiretamente, trabalhando com o artesanato, como ambulante”, disse a bióloga e condutora Flávia Rêgo.

A associação possui sede instalada no povoado de Tatuamunha, em Porto de Pedras. Ali, são oferecidos até 10 passeios diários de jangada a remo pelo Rio Tatuamunha até o recinto de reintrodução do peixe-boi. São 70 pessoas por dia que embarcam na aventura, com direito à trilha suspensa pelo basto manguezal, ao preço de R$ 40 por ingresso.

“Antes, a gente recebia o público da pousada. Isso ainda acontece muito, mas as pessoas passaram a se hospedar só para ver o peixe-boi”, comemora Flávia.

Vendas

Artesã produz mensalmente 500 unidades de pelúcia do peixe-boi

Artesã produz mensalmente 500 unidades de pelúcia do peixe-boi

Procedente de Cuiabá (MT), o casal Antônio e Sirlene Moraes foge do turismo  de massa. Hospedados em Maceió, eles correm dos pacotes triviais e caros oferecidos pelas agências e rumaram em direção a Porto de Pedras em carro locado.

Lá, o passeio foi realizado sob a supervisão de Flávia Rêgo. Dois remadores conduziram a jangada até o recinto, onde o casal pôde observar o hibernar de “Telinha”, uma fêmea de três metros e 320kg.

“Ao lado do turismo comunitário, nós falamos de polícia comunitária, de medicina comunitária, então esse é o caminho para o País. O cidadão passa a ser inserido na comunidade, a ser responsável também, aí você consegue respostas melhores. Voltarei várias vezes e trarei meus amigos”, disse Antônio, militar aposentado e sub-secretário de Defesa Social.

Ao fim do passeio, o casal pôde se refrescar com a água de coco vendida pelo pescador e relojoeiro de nome exótico: Jenne Cliff. Durante as manhãs, ele é vendedor e, à tarde, ajusta dos ponteiros e sai para pescar. Puderam também adquirir um souvenir em formato de… Peixe-boi!

Pescador, Jenne Cliff também fatura com a venda de coco aos turistas

Pescador, Jenne Cliff também fatura com a venda de coco aos turistas

Os bichinhos de pelúcia são confeccionados na oficina Peixe-Boi e Arte da artesã Maria José dos Santos. Ela deixou a profissão de governanta num hotel para se transformar em microempreendedora. Produz 500 unidades mensais que custam entre R$ 12 e R$ 100, a peça.

“O peixe-boi é minha fonte de inspiração e de renda. Esse bicho de pelúcia é mais do que uma lembrança é uma forma de preservar o animal”, declarou ela, que conta com o apoio do Instituto Yandê (ONG).

 

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