Turismo arqueológico é a aposta de Porto Calvo na Costa dos Corais
   Severino  Carvalho  │     10 de outubro de 2017   │     12:03  │  1

Fortim de terra construído pelos holandeses foi identificado em Porto Calvo em 2015 (Foto: Severino Carvalho)

Dentre os quatro projetos desenvolvidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Governo do Estado, na região Norte de Alagoas, um deles pretende revitalizar o fortim de terra holandês identificado no município de Porto Calvo, em 2015, pela pesquisa arqueológica acerca da movimentação e ocupação holandesa / ibérica do rio Manguaba no século XVII.

O projeto para construção de um parque histórico e de um museu arqueológico no Reduto Ilha do Guedes foi entregue pelo superintendente substituto do Iphan em Alagoas, Sandro Gama, ao governador Renan Filho, durante o ato de resgate às origens de Alagoas, no dia 4 de outubro, e que integrou a viagem “Na Rota dos 200 Anos”, em comemoração ao Bicentenário.

A ideia é desenvolver o turismo de cunho histórico e arqueológico em Porto Calvo, um dos primeiros núcleos de povoamento de Alagoas, beneficiando-se do fluxo de visitantes que se direciona a municípios já consolidados turisticamente como Maragogi, Japaratinga e São Miguel dos Milagres. O objetivo é diversificar a oferta de atrativos turísticos e manter o visitante por mais tempo hospedado na região da Costa dos Corais.

“Se a gente conseguir trazer 20% dos turistas que visitam Japaratinga, Maragogi, Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres para conhecer a história das batalhas entre holandeses e portugueses aqui em Porto Calvo, isso vai dinamizar a economia da cidade, gerar emprego, melhorar a vida das pessoas e garantir mais oportunidades para a juventude”, observou o governador, que foi recebido em Porto Calvo pelo prefeito David Pedrosa.

História

Projeto para construção de um parque histórico e de um museu arqueológico no Reduto Ilha do Guedes foi entregue ao governador (Foto: Márcio Ferreira)

Os fortes e redutos construídos em terra foram comuns ao longo dos séculos iniciais da colonização, mas praticamente desapareceram ao longo do tempo. Segundo o arqueólogo Marcos Albuquerque, que coordenou a pesquisa iniciada em 2013 e retomada este ano, há poucos fortes de terra identificados no Brasil e tão bem conservados como o encontrado em Porto Calvo.

A estrutura foi edificada em meio ao rio Manguaba como estratégia de defesa. Para o arqueólogo, trata-se de uma descoberta importantíssima não só para a história de Porto Calvo, mas do Brasil e da Europa.

“A história dessa região transcende a história do Brasil e se insere na história mundial, na oportunidade em que os holandeses tomaram conta de parte do território nacional. Todas as lutas que aconteceram aqui foram lutas fantásticas e de uma dimensão em que todo o staff dos grandes generais de Maurício de Nassau estiveram aqui. Nós já localizamos na baixada o local onde foi montado o acampamento de Nassau. Tudo isso poderá fazer parte de um grande parque temático”, aposta o arqueólogo.

O rio Manguaba servia de “estrada maior” por onde circulavam as caixas de açúcar com destino à Europa. Seguiam em barcaças até Porto de Pedras e daí a portos maiores onde se concentrava o grosso do produto a ser “exportado”.

O fortim de terra holandês ocupa uma área de 472,37 m² e possui quatro pontas, um fosso e a praça de armas. De acordo com a pesquisa do Iphan, o Reduto Ilha do Guedes foi também o provável acampamento do almirante Jan Lichthardt, que comandava as tropas holandesas ali instaladas.

Em Porto Calvo, entre 1637 e 1645, ocorreram cercos e refregas que alternaram a posse do lugar, até que a campanha conduzida pelo conde Maurício de Nassau, após batalha decisiva, o conquistou, expulsando as tropas ibero-brasileiras para a Bahia, até a Batalha dos Guararapes (1648 / 49), que pôs fim às ocupações holandesas no Brasil.

Se para os portugueses a grande Batalha foi a de Guararapes, para os holandeses o grande triunfo aconteceu aqui, na área que compreende os municípios de Porto Calvo e Porto de Pedras, a exemplo das batalhas de Mata Redonda (Porto de Pedras) e Comandatuba (Porto Calvo).

A pesquisa arqueológica identificou, ainda, outros dois fortins em Porto Calvo e ratificou a existência de uma fortificação portuguesa no Alto da Força, onde hoje se encontra instalado o Hospital Municipal São Sebastião, local onde Domingos Fernandes Calabar foi morto por garroteamento.

Mais três

Professor Marcos Albuquerque coordena a pesquisa arqueológica (Foto: Severino Carvalho)

Outros três projetos que envolvem a restauração de prédios antigos e a consolidação de estruturas para fomentar o turismo histórico e cultural na região Norte de Alagoas estão em execução por meio de parceria entre o Iphan e o Governo do Estado.

“Temos a Cadeia Pública de Porto de Pedras, que já está em obras; a consolidação das ruínas do Mosteiro de São Bento, em Maragogi, e a revitalização do Teatro Aurélio Buarque de Holanda, em Passo de Camaragibe. Nossa intenção é construir um ambiente cultural rico nessa região para o alagoano e para o turista que nos visita ter mais opções”, concluiu o governador.

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COMENTÁRIOS
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  1. Roney de mendonça medeiros

    Região rica em belezas e riquezas como petróleo e mais surpresas que devem ser aproveitadas para trazer renda e consequentemente estrutura a essa parte do paraiso……

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