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Observando os Rios chega aos 17 estados cobertos pela Mata Atlântica
   Severino  Carvalho  │     27 de setembro de 2017   │     11:44  │  0

Iniciativa sensibiliza comunidades sobre a importância da água (Foto: Severino Carvalho)

Com Assessoria

O projeto Observando os Rios já atua nos 17 estados brasileiros cobertos pela Mata Atlântica. A iniciativa sensibiliza comunidades sobre a importância da água e capacita voluntários para monitorar a sua qualidade. Alagoas é uma das unidades da federação contempladas.

O projeto é mantido pela Fundação SOS Mata Atlântica com patrocínio da Ypê e da Coca-Cola Brasil. A iniciativa envolve cerca de 3,6 mil pessoas.

Durante os seus 26 anos de existência, o Observando os Rios se expandiu gradativamente pelos estados cobertos pelo bioma. Atualmente, suas ações acontecem em Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, além do Distrito Federal.

Romilda Roncatti, coordenadora do projeto, ressalta a importância da participação dos voluntários que disponibilizam parte do seu tempo para o cuidado com os rios, córregos e nascentes do país.

“Cada participante é um agente multiplicador para as questões sobre a poluição dos rios, que está diretamente relacionada à qualidade de vida da população”, afirma.

Para a especialista em Água da ONG, Malu Ribeiro, é muito importante conscientizar a sociedade sobre os impactos da qualidade da água na saúde.

“A atividade é um instrumento de mobilização por avanços no saneamento básico. O trabalho dos voluntários é essencial para a realização do projeto nos 17 estados”, complementa.

Ao longo de sua história, o Observando os Rios já ganhou o apoio de importantes parceiros. Em Alagoas, por exemplo, conta com a mobilização do Instituto Biota de Conservação, que promove o cuidado com a fauna marinha e seu habitat.

“A população deve ter mais interesse pelo meio ambiente, pois estamos inseridos nele. Se nós não observarmos o que os rios estão nos dizendo, um dia pode ser tarde demais”, disse Bruno Stefanis, sócio fundador do Instituto.

Já em Santa Catarina, o projeto ganhou forma a partir da conscientização da população de que os seres humanos são corresponsáveis pela degradação ambiental e que isso precisa ser mudado.

“Não há como ser feliz e ter qualidade de vida sem qualidade ambiental. Não podemos fechar os olhos diante dos problemas, tão pouco nos isentar da responsabilidade querendo que o governo resolva tudo sozinho”, disse Ciro Couto, integrante do grupo que monitora a Praia da Lagoa do Jacaré, em Florianópolis.

OBSERVANDO OS RIOS EM NÚMEROS
Total de voluntários 3.600
Grupos de monitoramento 254
Estados monitorados 17 + DF
Municípios monitorados 104
Rios e corpos d’agua analisados 238
Pontos analisados mensalmente 307

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Encalhe de baleias em AL pode estar relacionado a aumento populacional
   Severino  Carvalho  │     5 de setembro de 2017   │     11:23  │  0

Último encalhe foi de baleia jubarte na foz do Rio Niquim, na Barra de São Miguel (Foto: cortesia)

Sete baleias já encalharam na costa alagoana este ano, a última delas – uma Jubarte – na segunda-feira (04), na foz do Rio Niquim, Barra de São Miguel. O animal não resistiu e morreu.

Só na Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, Litoral Norte do estado, foram cinco encalhes ocorridos em Maragogi (1), Japaratinga (2), São Miguel dos Milagres (1) e Passo de Camaragibe (1).

Mas, o que estaria provocando os encalhes? Para o chefe da APA Costa dos Corais, o analista ambiental Iran Normande, as ocorrências possivelmente estão relacionadas ao aumento populacional desses mamíferos colossais.

“Quanto mais animais, mais encalhes – fazendo com que eles se aproximem mais da costa. Fenômenos como El Niño também podem contribuir para este aumento do número de encalhes”, observou Normande.

De acordo com ele, foram coletados materiais para análise. “Mas como todos foram (na APA) filhotes de jubarte nascidos nesta temporada reprodutiva, possivelmente está relacionado ao aumento populacional desta espécie em águas brasileiras”, acrescentou o analista ambiental.

Histórico

Filhote macho de Jubarte (Megaptera novaeangliae) encalhou morto na foz do Rio Salgado, em Japaratinga, no dia 21 de agosto de 2014. Tinha cerca de cinco metros de comprimento (Foto: Severino Carvalho)

Em 2014, escrevi uma reportagem para a GazetaWebMaragogi acerca dessas ocorrências, o que só reforça que os encalhes não são um fenômeno recente. Justamente entre julho e agosto daquele, três baleias haviam encalhado mortas no Litoral Norte de Alagoas, na costa marítima dos municípios de São Miguel dos Milagres, Maragogi e Japaratinga.

Foram duas jubartes (Megaptera novaeangliae) e um cachalote (Physeter macrocephalus). À época, ouvi especialistas para saber por que num período tão curto ocorreram esses encalhes na mesma região, dentro da APA Costa dos Corais, maior unidade de conservação marinha do país.

A veterinária Adriana Colosio, pesquisadora do Programa de Resgate do Instituto Baleia Jubarte (IBJ), com sede no município de Caravelas, Sul da Bahia, afirmou ser comum em agosto (em 2017 a maioria ocorreu neste mês) o encalhe de indivíduos desta espécie, quando aumenta a concentração desses animais na costa brasileira, saídos do continente antártico. Eles chegam em busca de águas quentes para se reproduzir.

“Ao longo dos anos, o número de encalhes tem aumentado gradativamente, devido ao crescimento populacional da baleia jubarte. Portanto, é considerado normal esse aumento de encalhes”, afirmou a veterinária. De acordo com dados do IBJ, acontece anualmente uma média de 36 encalhes de baleias da espécie jubarte na costa brasileira.

Em 2010, entretanto, o número de ocorrências com óbitos se elevou para 96. Naquele ano, em Alagoas, foram registrados dois encalhes: um na praia de Ponta de Mangue, em Maragogi, e outro na de Morros do Camaragibe, em Passo do Camaragibe, Litoral Norte do Estado.

A jubarte saiu da lista de espécies ameaçadas de extinção, a população aumentou, mas as ameaças também cresceram quase que na mesma proporção, conforme o uso da área marinha, relacionado às interações humanas e à presença dessas animais no mesmo local.

“A saída da jubarte da lista de animais ameaçados de extinção é devido há mais de 10 anos de pesquisa do IBJ e de várias outras instituições que contribuíram pra melhorar as condições de sobrevivência desta espécie. Mas, isso não quer dizer que a população de jubarte não está em perigo”, alertou.

São várias as causas de mortalidade de baleias, desde as naturais (doenças), velhice ou por fatores antrópicos: emalhe em redes de pesca, colisão com embarcações, variações climáticas, contaminação por metais pesados ou hidrocarbonetos. Marcas deixadas nos cadáveres dos animais também podem evidenciar a causa da morte.

A ameaça dos navios

Exemplar adulto de jubarte, com 13 metros de comprimento, apareceu morto na Praia do Toque, em São Miguel dos Milagres, no dia 11 de julho de 2014 (Foto: Severino Carvalho)

Embora não se possa afirmar que as baleias que encalharam sem vida no Litoral Norte de Alagoas morreram atingidas por grandes embarcações, esse é um fator preocupante, não só nestas águas.

Dados divulgados pelas Nações Unidas revelam que o tráfego de navios de cabotagem provocado pelo comércio marítimo mundial cresceu 80% nas últimas duas décadas. Segundo a Organização Marítima Internacional, 90% do comércio global é feito através do mar.

Embora não existam estudos sobre os impactos causados às baleias, todo esse movimento de grandes embarcações torna-se um perigo em potencial às espécies que habitam os mares, inclusive no Atlântico Sul.

O aumento do fluxo de navios entre os portos de Suape (PE) e de Maceió também é uma ameaça aos mamíferos. Estima-se que mais de 20 embarcações cruzem a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais por mês.

“A colisão com navios cargueiros pode ser uma das causas, mas para afirmar isso, seria necessário examinar os animais que encalharam. Entretanto, a colisão com embarcações é uma, dentre as várias causas de mortalidade que podem afetar esses animais”, ponderou a veterinária.

Serviço

Em caso de encalhe, contactar:

Instituto Baleia Jubarte: (+55 71) 3676-1463 / (+55 73) 3297-1340

www.baleiajubarte.org.br/

Base avançada do CMA, Porto de Pedras: (82) 3298-1388

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