Pesquisa Ecológica de Longa Duração se instala na APA Costa dos Corais
   Severino  Carvalho  │     17 de dezembro de 2016   │     13:10  │  0

APA Costa dos Corais, maior unidade de conservação marinha do Brasil (Fotos: Severino Carvalho)

APA Costa dos Corais, maior unidade de conservação marinha do Brasil (Foto: Severino Carvalho)

A gestão da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais ganhou um aliado valiosíssimo: o sítio de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), em parceria com o Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico (CNPq).

De acordo com a professora Nídia Noemi Fabré, doutora em ciências biológicas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a primeira meta do sítio PELD será implementar um sistema de monitoramento continuado do funcionamento dos sistemas ecológicos e socioeconômicos para subsidiar com informações técnico-científicas a gestão da APA Costa dos Corais.

Segundo ela, esse será o ponto de partida voltado à gestão produtiva e sustentável de recursos naturais no Estado. “Alagoas nunca teve um sistema de monitoramento ecológico por um longo prazo por falta de base de pessoal e estrutura, que impedia isto. A barreira foi vencida”, comemorou a professora. Nídia Fabré é vice-coordenadora do PELD.

A Fapeal assumiu o compromisso de ser uma das financiadoras desse projeto de pesquisa inédito, considerado o mais ambicioso e sistemático concebido para a região até hoje, por meio de uma chamada pública voltada à PELD, em parceria com o CNPq, a Coordenadoria de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes) e o British Council.

Até 2020, R$ 1 milhão deve ser investido no projeto de pesquisa capitaneado pela Ufal, envolvendo 52 pesquisadores e diversas instituições parceiras, federais e internacionais. O aporte do governo de Alagoas, por meio da Fapeal, será de R$ 200 mil, em quatro anos.

“Instalar um sitio PELD em Alagoas era um anseio de pesquisadores de várias instituições – apenas neste edital, Alagoas apresentou quatro propostas –  sendo aprovada a formulada por pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos do ICBS-UFAL (Mestrado e Doutorado) com parceiros do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e várias outras instituições governamentais e não-governamentais, nacionais e internacionais”, complementou a professora.

Ela explica que a proposta foi centrada na APA Costa dos Corais porque existem poucos sítios PELD em ecossistemas marinhos no Brasil. Trata-se da maior Unidade de Conservação (UC) marinha do País, gerida pelo ICMBio. Com 120 km de extensão e área de mais de 400 mil hectares, a APA Costa dos Corais encontra-se 80 % em território alagoano. Os outros 20% ficam no Litoral Sul de Pernambuco.

“Isso representa um patrimônio sociocultural e natural de extrema importância pela diversidade biológica nela contida, inclusive com espécies ameaçadas de extinção, mas também representando área de alta importância econômica tanto pela exploração turística no Litoral Norte do Estado, quanto pela geração de alimento e importância social, relacionas à exploração pesqueira tradicional na região”, destacou a pesquisadora.

Unidade modelo

Reintrodução do peixe-boi marinho (Foto: Severino Carvalho)

O sítio de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD) pretende elevar a eficiência da gestão do território da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais. A ideia é tornar a Unidade de Conservação em modelo a ser aplicado às demais áreas com recursos naturais em Alagoas e no resto do País; até mesmo em outras áreas tropicais no mundo.

Estão previstas ações como instalação de sítios de monitoramento de recursos hídricos e pesqueiros em dois rios dentro da APA, em formações recifais, nas praias e restingas. “Os sistemas de monitoramento serão bioecológicos e socioeconômicos, promovendo a participação ativa dos usuários dos recursos naturais”, explicou a vice-coordenadora do PELD, Nídia Fabré.

Entre as metas, busca-se introduzir medidas inovadoras para o monitoramento da biodiversidade, como uso de drones e de técnicas de genética de última geração; monitoramento participativo dos recursos naturais para valorizar e capacitar os usuários locais, sejam eles pescadores, operadores de turismo e demais empreendedores.

“Serão ainda formados recursos humanos no nível de graduação, mestrado e doutorado, estes com destaque no âmbito do PPG-DIBICT/UFAL. A meta geral é seguir valorizando Alagoas e sua capacidade no cenário nacional e internacional como fonte geradora de conhecimento científico de alto impacto regional e internacional, atendendo à demanda da sociedade em todos os níveis”, concluiu a professora.

Entusiasmo

Biodiversidade da APA Costa dos Corais (Foto: Severino Carvalho)

O analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ulisses Santos, disse que os gestores da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais receberam com entusiasmo a notícia da instalação do sítio de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD). Mas, segundo ele, não foi uma surpresa.

“A proposta apresentada pelo Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da UFAL, é muito robusta e contempla diversas áreas de pesquisa das ciências biológicas, ecologia, sociologia, comunicação social, educação… O projeto conta com uma equipe interdisciplinar, com pesquisadores do ICBS, do Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes, da Faculdade Serviço Social e também do Campus Arapiraca UFAL, sem falar das várias instituições internacionais, sendo ao todo 52 pesquisadores participantes do projeto”, destacou Santos, chefe substituto da APA Costa dos Corais / ICMBio.

Ele explica que os gestores da APA Costa dos Corais/ICMBio também participarão ativamente das pesquisas. O analista ambiental afirmou que, para o Instituto Chico Mendes, o projeto é de suma importância.

“Tem o potencial de orientar a gestão da Unidade, analisando os resultados das ações de manejo, do zoneamento e de todo o regramento da APA na parte alagoana. E não só isso, o PELD pode trazer muitas contribuições para as comunidades locais e toda a sociedade alagoana, apontando melhores formas de uso e manejo dos recursos naturais para a melhoria da qualidade de vida dos seus usuários, pescadores, moradores, operadores de turismo”.

Ele declarou, ainda, que a proposta é ambiciosa e que conta com uma equipe e coordenação extremamente competentes, com expertise e experiência na gestão de pesquisa e de projetos de conservação. “O projeto foi concebido alinhado com a gestão da APA Costa dos Corais e com preocupação com a sociedade e a realidade alagoana”, finalizou Santos.

A APA Costa dos Corais

Piscina natural de Japaratinga (Foto: ICMBio)

Piscina natural de Japaratinga (Foto: ICMBio)

Gigante pela própria natureza, a Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais é a maior Unidade de Conservação (UC) Marinha do Brasil. Criada em 1997, abrange mais de 400 mil hectares, abraçando 120 km de praias, manguezais, rios e restingas.

Para onde se volte o olhar, tem-se vida: terra, mar, ar… Guarda em seus mares, num gradiente de cores de infinita beleza, 185 espécies de peixes registradas e dez de corais, sendo sete endêmicas. Nela, vivem, em berço esplêndido, animais ameaçados de extinção como o mero, as tartarugas-marinhas e o peixe-boi.

É da APA Costa dos Corais que comunidades tradicionais de pescadores tiram seu sustento, em 14 municípios, do Litoral Norte de Alagoas ao Sul de Pernambuco. Integra e congraça com graça os dois Estados. Generosa, a Unidade de Conservação oferece, ainda, piscinas naturais em uma mar de águas claras, calmas e termais aos que aqui chegam em busca de descanso ou de lazer.

Ao homem, resta preservar, proteger esse patrimônio colossal que pulsa em vida, em graça, em cor.

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