Monthly Archives: janeiro 2016

Maragogi pode ganhar novo empreendimento hoteleiro
   Severino  Carvalho  │     21 de janeiro de 2016   │     11:03  │  0

Prefeito e secretária de Turismo se reúnem com investidores (Foto: Assessoria)

Prefeito e secretária de Turismo se reúnem com investidores (Foto: Assessoria)

Com Assessoria

O prefeito de Maragogi, Henrique Peixoto (PSD), se reuniu com representantes do CAPTHAR – gestão financeira, grupo de São José do Rio Preto (SP) que pretende construir um novo empreendimento turístico no município, considerado o segundo maior polo hoteleiro de Alagoas.

Durante o encontro, foram discutidos os detalhes da operação, que deverá dinamizar o turismo e a cadeia de desenvolvimento econômico do município, aposta a prefeitura.

“Esta é uma iniciativa que vai potencializar o nosso turismo e fortalecer a economia, gerando emprego e renda”, destacou o gestor.

“Maragogi é um dos destinos mais procurados do país, e isto tem chamado a atenção investidores, que enxergam no município uma oportunidade de empreender. Tenho certeza que esta é uma parceria que vai contribuir muito com o desenvolvimento da cidade”, avaliou Peixoto.

Ele acredita que o empreendimento que irá gerar cerca de 300 empregos diretos, sinaliza o crescimento econômico e boas perspectivas para os negócios locais.

“Os principais ganhos estão relacionados à geração de empregos diretos e indiretos, ao aumento da renda e do poder de compra da população, além de um grande incremento para o nosso turismo”, destacou a secretária de turismo, Mariana Gorenstein.

De acordo com ela, o empreendimento seria um resort de médio a grande porte a ser instalado em Maragogi pelo grupo investidor. A prefeitura informou que, além de todo o apoio logístico para a concretização do empreendimento, se comprometerá com a aplicação de algumas medidas fiscais de incentivo.

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A quem pertence a Praia do Patacho?
   Severino  Carvalho  │     13 de janeiro de 2016   │     20:01  │  1

A paradisíaca Praia do Patacho (Fotos e vídeo: Severino Carvalho)

A paradisíaca Praia do Patacho (Fotos e vídeo: Severino Carvalho)

Na semana passada estive na paradisíaca e, agora, badalada Praia do Patacho, em Porto de Pedras, Litoral Norte de Alagoas. Minha missão, ou melhor, minha pauta jornalística, era retratar o conflito instalado naquele pedaço edênico de litoral.

Mas, afinal, a quem pertence o Patacho? Confira em reportagem especial produzida para a Gazeta de Alagoas e que reproduzo aqui.

PORTO DE PEDRAS – Eleita uma das praias desertas mais belas do país e tratada por revistas especializadas em turismo como um dos últimos redutos de litoral virgem do Brasil, Patacho, em Porto de Pedras, agora vive em meio a muito barulho. Sobre as areias macias e albas, viceja a discórdia.

O conflito se instalou depois que o lugar caiu no gosto popular, atraindo caravanas e mais caravanas de outros municípios àquele pedaço de paraíso. Com os grupos de banhistas, também vieram os paredões (estridentes sistemas de som automotivo), grandes aglomerações e lixo.

Para proteger o patrimônio privado e sob o argumento de preservar a natureza, donos de sítios e de pousadas requintadas instalaram cercas, limitando o acesso à praia. Do outro lado dos arames farpados, os banhistas e moradores de Porto de Pedras exigem a eliminação dos obstáculos.

“Menos de 500 metros de praia foi o que restou. A maior parte está toda fechada. O povo não tem mais acesso. No ritmo que vai, a praia será totalmente privatizada”, teme o comerciante Miguel Pirauá, que também trabalha realizando passeios turísticos por meio de veículo do tipo buggy.

Os donos de sítios e de pousadas argumentam que os acessos do público à praia estão mantidos. Dizem que levantaram obstáculos com objetivo de evitar a entrada de veículos automotores ao Patacho, que estariam destruindo a vegetação de restinga (salsa-marinha) e os ninhos de tartarugas-marinhas.

Caseiro de um loteamento, Laudemir Wanderley instalou uma trave feita de troncos de coqueiro na estrada principal de acesso ao Patacho para evitar a passagem de ônibus com caravanas de banhistas, vindas de outros municípios.

“Quem bagunça é esse pessoal dos ônibus. Eles não compram nada na cidade, trazem tudo de lá e ainda deixam o lixo para a gente catar. Eu mesmo que limpo essa frente de praia todinha. O dono do loteamento mandou eu botar a trave e eu botei mesmo. Obedeço ordens”, afirmou o caseiro.

“Patacho Livre”

Turistas circulam entre cercas de arame farpado para chegar à beira-mar

Turistas circulam entre cercas de arame farpado para chegar à beira-mar

Moradores de Porto de Pedras, contrários à restrição dos acessos à praia, criaram o movimento “Patacho Livre”. Segundo o professor de Biologia, Valnei Constant, trata-se, na verdade, de um fórum para discutir soluções ao impasse.

O grupo convocou a sociedade civil organizada para um grande debate realizado no sábado (9), na Escola Estadual Cyridião Durval.

“Os donos de pousadas começaram a fechar os acesos à praia e agora os proprietários de sítios, de loteamentos, todo mundo quer fechar. E o que é pior: cada um faz do seu jeito; não há uma organização por parte da prefeitura. O que queremos é que o acesso de servidão à praia seja mantido, como manda a lei”, considerou o professor.

De acordo com ele, o município não possui Plano Diretor, o que dificulta ainda mais o ordenamento, o uso e a ocupação do solo em Porto de Pedras.

“O que desejamos é organização para que todos possam aproveitar a praia, sem prejudicar a atividade turística, que é muito importante para Porto de Pedras. O que não queremos é a privatização dos espaços públicos”, contesta o professor.

Ele revelou que, num segundo momento, o movimento Patacho Livre vai pedir o apoio da Promotoria de Justiça e da Câmara de Vereadores para que realizem uma audiência pública e façam a mediação do conflito para que a paz volte a reinar no Patacho.

Acessos mantidos

Donos de sítios, de loteamentos e de pousadas instaladas no Patacho, em Porto de Pedras, negam ter fechado os acessos à praia. Segundo eles, apesar da instalação das cercas, entradas e saídas para os pedestres foram preservadas a cada 500 metros.

“Nenhuma via de acesso à praia foi eliminada. Procuramos o Ministério Público e fomos orientados a deixar as entradas de servidão a cada 500 metros; foi o que fizemos”, argumentou o produtor rural Ricardo Pessoa, dono de sítio naquela região.

De acordo com ele, além da proteção ao patrimônio privado, eles estão preocupados em preservar o meio ambiente: a fauna e a flora da Praia do Patacho.

“Cinquenta por cento da restinga já foi destruída pelos veículos automotores”, denunciou ele. Para Clemente Coutinho, dono de pousada, o que mais incomoda é a produção e o descarte irregular do lixo na Praia do Patacho.

A situação impacta diretamente a atividade hoteleira, representada por pousadas de baixa densidade – poucas unidades habitacionais – mas que atraem um público seleto do Sul e do Sudeste do País, que procuram sossego em meio a um paraíso de águas mornas e calmas.

“O lixo deixado na praia pelas caravanas causa uma imagem muito negativa ao turista. Além do mais, é uma ameaça às tartarugas-marinhas e ao peixe-boi que vive na região. Outra coisa absurda são esses paredões, que impõem um estilo de música em alto volume que nem todo mundo aprecia”, pondera Clemente.

Segundo ele, o uso desordenado da Praia do Patacho, causado pela elevação do fluxo de visitantes, começou há cerca de dois anos, quando a rodovia AL-460, entre Porto de Pedras e Porto Calvo, ficou pronta.

Antes, o principal acesso se dava por meio de travessia – feita em balsas – do Rio Manguaba, o que restringia o fluxo de veículos e de visitantes a Porto de Pedras, pelo lado Norte do Estado. Com a via terrestre pronta, passaram a frequentar o litoral da Rota Ecológica – como é conhecido o destino turístico – caravanas vindas de cidades vizinhas e até de Pernambuco, a exemplo de Caruaru e de Garanhuns.

“Entre 2004 e 2005, uma revista de circulação nacional, especializada em turismo, tratou o Patacho como o último reduto de litoral virgem do Brasil, mas, de dois anos pra cá, isso não existe mais. Não somos contra o acesso da população à praia, nem dos passantes, não fazemos distinção, mas não podemos concordar com o lixo e com esses paredões. Isso aqui vira uma Babilônia, principalmente nos feriadões”, descreveu Clemente.

Num desses feriados prolongados, excursionistas que chegaram ao Patacho em ônibus invadiram uma pousada e saltaram dentro da piscina. Hóspedes, inclusive estrangeiros, entraram em pânico. Eles achavam que se tratava de um “arrastão”.

O grupo só saiu do estabelecimento quando o proprietário acionou a polícia. Essa situação ocorreu duas vezes, levando o dono da pousada a instalar troncos de coqueiro na estrada de acesso ao Patacho, no afã de evitar a aproximação dos veículos coletivos. O obstáculo já foi retirado.

Opiniões divididas

Professor Constant mostra lixo deixado na praia do Patacho

Professor Constant mostra lixo deixado na Praia do Patacho

Os turistas ouvidos pela Gazeta de Alagoas, na Praia do Patacho, se dividem quando o assunto são as cercas que circundam aquele pedaço de litoral. A divergência pode ser notada dentro de uma mesma família.

Marilda Ferreira dos Santos, 68 anos, e Vivian Ferreira, 34, mãe e filha, têm opiniões contrárias. Elas são turistas de São Paulo (SP).

“Eu achei horríveis essas cercas. A gente teve de parar o carro e caminhar uns 200 metros”, afirmou Marilda.

“Eu acho que tem de restringir mesmo para manter essa sensação de paraíso”, contestou Vivian. A mãe contemporizou e sugeriu que a prefeitura estabeleça espaços para a realização de piqueniques.

“Em São Paulo, há espaços destinados aos recreios nas praias. Aqui deveria ser assim também”.

Coronel da reserva da Polícia Militar (PM) de Goiás, César Pacheco acredita que a solução para o conflito é a intervenção do poder público, no sentido de ordenar o uso e a ocupação do espaço.

“É preciso o braço forte do Estado para garantir o acesso de todos à praia, mas de forma ordenada, organizada. Viemos de Maceió para Porto de Galinhas (PE) e decidimos conhecer a Praia do Patacho pela fama que tem de lugar tranquilo. Mas, encontramos muita dificuldade para acharmos a praia. Faltam placas de sinalização turística. Chegamos aqui por acaso”, lamentou Pacheco, acompanhado da esposa.

A Gazeta de Alagoas tentou, mas não conseguiu estabelecer contato com a prefeita de Porto de Pedras, Camila Farias (PSC).

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Dinho Ouro Preto mergulha nas Galés de Maragogi
   Severino  Carvalho  │     6 de janeiro de 2016   │     15:27  │  0

 

Depois dos jogadores de futebol Alecsandro e Edu Dracena, campeões nacionais pelo Palmeiras e Corinthians em 2015; do ator Leonardo Medeiros e dos cantores Djavan e Paula Fernandes, foi a vez do vocalista da banda Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, conhecer os encantos do mar de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas.

Ele fez o mergulho autônomo (com equipamentos) nas piscinas naturais, também conhecidas como “Galés”, acompanhado dos profissionais que integram a equipe da operadora Explorer Diving Salinas.

Não é à toa que Maragogi é o terceiro destino turístico nacional mais procurado para esta temporada, segundo o site de viagens TripAdvisor. Que o diga os famosos!

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Região Norte de Alagoas por um fio
   Severino  Carvalho  │     3 de janeiro de 2016   │     11:05  │  2

Sistema da Eletrobras não passa confiança

Sistema da Eletrobras não passa confiança (Foto: Severino Carvalho)

A presidente do Costa dos Corais Convention & Visitors Bureau (CCC&VB), Vergínia Stodolni, chamou de “tragédia anunciada” o apagão que deixou sem energia elétrica, por quase 20 horas, os municípios de Maragogi, Japaratinga e Porto Calvo, entre o primeiro e o segundo dia de 2016.

O blecaute afetou em cheio a economia desses municípios da região Norte do Estado, sobretudo de Maragogi e de Japaratinga, que vivem do turismo. O apagão gerou transtornos aos hóspedes e prejuízos à rede hoteleira e ao comércio de forma geral.

Ao tratar o apagão como tragédia anunciada, a presidente do CCC&VB quis se referir à falta de investimentos e à precariedade do sistema energético que atende o Litoral Norte de Alagoas, o que poderia ocasionar um apagão com consequências devastadoras para o destino turístico da Costa dos Corais, como, de fato, aconteceu na semana passada. O problema é de conhecimento geral das autoridades do Estado, sobretudo, da Eletrobras. E não é de hoje…

Sabendo das carências estruturais, o trade turístico já se reuniu inúmeras vezes com representantes da Eletrobras Distribuição Alagoas – desde o tempo em que se chamava Companhia Energética de Alagoas (Ceal).

Em todos os encontros, o CCC&VB cobrou melhorias e ouviu promessas como respostas. As interrupções no fornecimento de energia sempre voltam a acontecer e em períodos cada vez maiores. As oscilações de tensão também são uma constante, danificando equipamentos eletroeletrônicos.

Na edição de 2 de agosto de 2015, a Gazeta de Alagoas mostrou, em reportagem especial, assinado por este jornalista, um panorama da triste realidade por que passa a região Norte do Estado. Entenda os motivos pelos quais a presidente do CCC&VB chamou o apagão de “tragédia anunciada” e porque a região Norte encontra-se por um fio.

A região Norte de Alagoas por um fio

Entre os dias 7 e 8 de julho, sete municípios da região Norte do Estado sofreram com a interrupção no fornecimento de energia elétrica. Em grande parte dessas localidades, o sistema foi restabelecido duas horas depois, mas, em outras, o apagão chegou a durar mais de 20 horas, causando transtornos aos moradores e prejuízos financeiros ao comércio e ao setor turístico, principal atividade econômica da Costa dos Corais, segundo maior polo hoteleiro de Alagoas.

“Foi um dos períodos mais longos sem energia elétrica na região. Teve casa no distrito de Barra Grande (Maragogi) em que a luz só voltou quase 24 horas depois”, recordou a presidente do Costa dos Corais Convention & Visitors Bureau (CCC&VB), Vergínia Stodolni. A entidade reúne empresários do setor hoteleiro de Maragogi e Japaratinga.

Em Maragogi, o blecaute atingiu sobretudo os distritos de Peroba e de Barra Grande, onde fica concentrada grande parte dos hotéis e pousadas do município. Segundo a Eletrobras Distribuição Alagoas, a interrupção no fornecimento foi causada pelo rompimento da rede de distribuição de alta tensão que sai da subestação de Rio Largo e alimenta toda a região Norte do Estado.

A ocorrência foi registrada no trecho localizado no povoado Lagoa Vermelha, zona rural de São Luís do Quitunde. O local é de mata fechada e dificultou o acesso das equipes de reparo. A interrupção atingiu os municípios de Jacuípe, Maragogi, Japaratinga, Porto Calvo, Porto de Pedras, Matriz do Camaragibe e Barra de Santo Antônio.

O problema, porém, poderia ter sido contornado com maior brevidade se houvesse uma rede de distribuição extra, o que possibilitaria o remanejamento de cargas elétricas, mantendo a região acesa.

“Na verdade, estamos por um fio. Quando a linha que liga a subestação de Rio Largo à região Norte cai, ficamos no escuro. Ela sozinha não sustenta. O ideal seria uma rede alternativa para fazer o remanejamento e isso já foi discutido com a Eletrobras há mais de um ano. Mas, pelo que se sabe, nada foi feito”, recordou Vergínia.

Naquela noite, a pousada do empresário João Nogueira, localizada em Japaratinga, perdeu clientes por causa do apagão. “Houve três desistências de hóspedes que chegaram à pousada justamente no momento em que não havia energia elétrica. Eles foram embora”, lamentou Nogueira, cujo estabelecimento permaneceu por cerca de 10 horas sem energia elétrica.

Investimentos

A presidente do CCC&VB, Vergínia Stodolni, cobra a aplicação de R$ 59,2 milhões em obras estruturantes no setor energético que beneficiariam diretamente a região Norte do Estado. O anúncio dos investimentos foi feito no dia 28 de outubro de 2013 pelos diretores da Eletrobras Distribuição Alagoas, em reunião com o setor hoteleiro, no auditório do Hotel Praia Dourada, em Maragogi.

Naquela oportunidade, foram anunciados a construção de uma subestação em Paripueira e o início da duplicação das linhas de transmissão que alimentam todo o Litoral Norte.

“O que existe, hoje, é um circuito simples, ou seja, apenas uma linha. Então, na saída de um desses trechos, há interrupção total de energia na região Norte porque não temos como fazer um remanejamento de carga. Com a duplicação, ficaremos com uma segunda opção”, explicou, naquela oportunidade, o diretor de Operação da Eletrobras Distribuição Alagoas, Vladimir de Abreu.

De acordo com o projeto, o primeiro trecho a ser duplicado compreenderia os municípios de Rio Largo (ponto de entrega da Chesf) a Paripueira, passando por São Luís do Quitunde até Matriz do Camaragibe. A ideia seria de duplicar toda a linha até Maragogi.

Além de empresários do setor hoteleiro de Japaratinga e de Maragogi, a reunião contou com as presenças do prefeito deste município, Henrique Peixoto (PSD), do então deputado federal e, hoje, governador do Estado, Renan Filho (PMDB), e diretores da Chesf.

“A gente até entende as dificuldades do setor enérgico brasileiro, mas parece que as autoridades não perceberam que o turismo é muito importante para Alagoas e que sem infraestrutura fica difícil trabalhar. Acabamos por perder clientes para outros Estados, então temos que cobrar para ver se acontece algum avanço”, justificou o hoteleiro João Nogueira, um dos diretores do CCC&VB.

Crescimento

Vergínia diz que Costa dos Corais vive bom momento (Foto: divulgação)

Vergínia cobra investimentos no setor energético da região  Norte de Alagoas (Foto: divulgação)

A presidente da instituição também demonstrou preocupação diante do crescimento do setor hoteleiro no Litoral Norte de Alagoas e a necessidade de investimentos que garantam a qualidade no fornecimento de energia elétrica aos novos e atuais empreendimentos.

De Paripueira a Maragogi, segundo Vergínia Stodolni, existem mais de 150 estabelecimentos hoteleiros instalados.

“Energia elétrica é uma necessidade primária da hotelaria. A postura do trade sempre foi de compreensão, mas a tendência é que a situação se agrave porque o segmento está em expansão. Teremos, em breve, um novo resort em Japaratinga e, a cada dia, novas pousadas se instalam na região”, ponderou Vergínia.

A presidente do CCC&VB lembrou, ainda, que o setor hoteleiro é um dos grandes clientes da Eletrobras. Ela cita o caso do maior resort de Maragogi, com 236 unidades habitacionais. O estabelecimento paga, mensalmente, cerca R$ 140 mil à concessionária pelo consumo de energia elétrica.

A conta em 2015 deve chegar perto dos R$ 2 milhões de reais, R$ 900 mil a mais em comparação ao consumo verificado em 2014, resultado do aumento das tarifas de energia elétrica, revelou o gerente do resort, Ricardo Almeida.

“Isso (alto faturamento) por si só já seria um argumento para que a Eletrobras tivesse uma atenção maior com a nossa região”, cobrou Vergínia.

Geradores

O uso de geradores a diesel de energia elétrica era uma prática apenas dos grandes hotéis. O alto custo desses equipamentos inviabilizava a aquisição pelos pequenos e médios meios de hospedagem. Essa realidade, entretanto, vem mudando em razão das constantes oscilações e interrupções no fornecimento de energia elétrica na região Norte de Alagoas.

Logo que inaugurou a pousada, em 2005, Tarsilla Rodrigues não possuía gerador em seu estabelecimento. Em 2007, cansada de perder clientes e de ouvir reclamações por causa da instabilidade do sistema da Eletrobras, resolveu fazer um empréstimo e comprou um gerador de 75 KVA.

Com a expansão da pousada, ela tomou novo empréstimo e adquiriu, recentemente, um gerador ainda mais potente, de 200 kVA, e que custou R$ 70 mil. A pousada fica no distrito de Peroba, em Maragogi. Trata-se da última unidade consumidora ao Norte do Estado, bem na divisa de Alagoas com Pernambuco.

A localização – na ponta da rede – faz com que o estabelecimento hoteleiro sofra ainda mais com a instabilidade do sistema de energia elétrica. “Ao construir a pousada, a gente achava que não precisava de gerador, mas percebemos que durante os feriados prolongados, quando a cidade lota de turistas, começava a faltar energia. Aí, vinham as reclamações, as desistências e os prejuízos. Por isso, decidimos tomar os empréstimos e comprar os geradores”, justificou Tarsilla.

Por mês, a pousada chega a gastar R$ 600 só na compra de diesel para gerar energia elétrica, a exemplo do que ocorreu em junho. “No mês passado, usamos bastante o gerador porque faltou energia várias vezes”, revelou.

O que o gerador não resolve é a oscilação de tensão da rede. Por causa disso, a pousada acumula prejuízos com a queima de eletroeletrônicos, a exemplo de aparelhos áudio e vídeo, além de condicionadores de ar danificados.

Uma das mais tradicionais pousadas de Maragogi, construída ainda na década de 1990, tem gerador desde a sua fundação. No dia 18 de julho, porém, a direção do estabelecimento hoteleiro, localizado em Peroba, foi pega de surpresa.

Ao perceber a falta de energia, o eletricista da pousada correu para ligar o equipamento a diesel, manualmente. É que o gerador não foi acionado automaticamente, como o previsto, porque apresentou defeito na chave de acionamento.

Depois de várias tentativas em vão, o jeito foi pedir a compreensão dos hóspedes. A pousada estava lotada e sem energia elétrica.

“Ficamos sem energia das 5h às 11h. Tivemos de sair de quarto em quarto explicando a situação aos nossos clientes”, revelou o proprietário, Luiz Cláudio Gonçalves, o “Lula”. Mas não são apenas os hoteleiros que sofrem com a instabilidade do sistema da Eletrobras. O consumidor residencial também padece com as quedas de energia.

“Hoje mesmo (sexta-feira, 17) faltou energia das 7h às 11h. E, quando falta energia, falta água também, porque o sistema de abastecimento de Peroba é todo através de bombas elétricas”, revelou o militar da reserva Romildo Francisco, morador do distrito de Peroba.

“Quando falta energia, a agonia é grande. A gente fica com medo de perder a mercadoria e não pode nem abrir o freezer muitas vezes, pra não descongelar tudo rapidamente”, acrescenta o comerciante Raul Cedrin, dono de uma peixaria, no mesmo distrito.

Investimentos

Subestacao

Eletrobras anuncia investimentos em subestação (Foto: Severino Carvalho / Arquivo)

A Eletrobras Distribuição Alagoas informou que as obras de construção da subestação de Paripueira estão previstas para começar até o primeiro semestre de 2016, com previsão de conclusão em 2017.

De acordo com concessionária, o projeto executivo da subestação já está pronto; as licenças ambientais, autorizadas e a compra dos equipamentos para a montagem, em andamento.

O empreendimento, orçado em aproximadamente R$ 7 milhões, beneficiará a população de municípios como Paripueira, Barra de Santo Antônio e de bairros localizados ao Norte da capital alagoana, de Jacarecica a Ipioca.

A Eletrobras garantiu que o equipamento irá, ainda, melhorar a confiabilidade do sistema elétrico da região Norte do Estado.

Já a construção da linha de distribuição de alta tensão será executada paralelamente às obras da subestação de Paripueira e seguirá o mesmo calendário, informou a Eletrobras, acrescentando que a rede trará mais uma opção para distribuir energia aos municípios do Litoral Norte.

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