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Museu da Praia reabre com exposição de artista asiático
   Severino  Carvalho  │     16 de janeiro de 2015   │     16:28  │  0

Chanthaphone e suas obras no Museu da Praia (Fotos: Severino Carvalho)

Chanthaphone e suas obras no Museu da Praia (Fotos: Severino Carvalho)

Por definição, um oásis está localizado em meio à aridez. A Praia de Ponta de Mangue, em Maragogi, inverte essa lógica. O lugar esconde uma dessas maravilhas em pleno paraíso num dos pedaços mais bonitos da costa alagoana. Trata-se do Museu da Praia. Nesse oásis, o que brota é arte cristalina.

O Museu se abre em flor todos os verões, desde 2000, para receber nativos, veranistas e turistas, admiradores das artes visuais. Nesta temporada, a atração são os trabalhos desenvolvidos pelo artista asiático Chanthaphone Rajavong, natural da República Democrática do Laos, país localizado na Indochina.

Intitulada de Cross-Cultural References (Referências e Cruzamentos Culturais), a exposição mostra as influências das culturas asiática, norte-americana e brasileira nos trabalhos desenvolvidos por Chanthaphone, criado na Tailândia em um campo para refugiados da guerra do Vietnã.

Ainda adolescente, Chanthaphone foi levado por uma organização não-governamental para os Estados Unidos, onde foi adotado pelo fotógrafo Link Harper, 72, e pelo companheiro dele, Jonas Santos, 67, pernambucano que vive há 50 anos na América do Norte.

Jonas e o filho adotivo

Jonas e o filho adotivo

Os dois protagonizaram a primeira união civil entre pessoas do mesmo sexo reconhecida na Filadélfia, cidade mais populosa do Estado da Pensilvânia. Jonas Santos é o diretor do Museu, que funciona na casa de praia dele, em Ponta de Mangue, onde passa as temporadas de verão desde 1974, quando comprou a singela casa a um pescador.

“Não existe fama, não existe dinheiro, não existe nada neste mundo que pague os momentos que passo nesse lugar. A mesma coisa serve para o Link Harper que vive comigo há 48 anos e para ele, como filho”, confessou Santos.

Ele conta que a arte ajudou Chanthaphone a vencer os traumas da infância e da adolescência. “Aqui, nessa exposição, há uma mistura de todas as coisas que ele fez nos Estados Unidos, as coisas que criou a partir das influências que recebeu ao nascer na Ásia e aqui no Brasil, principalmente, nesses 10 anos que utilizou o material que é descartado, a exemplo do tronco do coqueiro”, explicou Santos.

Nos Estados Unidos, Chanthaphone utiliza peças de computadores e transformadores descartados para emoldurar seus desenhos utilizando a técnica da colagem. Os objetos também são unidos por arrebites e dão forma a criaturas metálicas que remetem aos cultos asiáticos.

Artista asiático convida para a exposição Cross-Cultural References

Artista asiático convida para a exposição Cross-Cultural References

“Chanthaphone foi adotado ainda adolescente nos Estados Unidos por nós. Ele morou sete anos num campo de refugiados na Tailândia, no pós-guerra do Vietnã. A vida foi muito difícil para ele. Nos Estados Unidos, pôde se recuperar um pouco. Depois, com a ajuda nossa, ele amadureceu, mas já era um artista premiado pelas escolas onde estudou”, lembrou Santos.

A religiosidade brasileira também tem influência sobre os trabalhos do artista asiático que produz ex-votos, aquelas peças deixadas por gratidão nas igrejas e que aludem a uma parte do corpo curada de alguma enfermidade. “Aconteceu naturalmente. Aqui, encontrei um material em abundância que é a madeira do coqueiro”, disse Chanthaphone ao blog.

Além dos trabalhos do artista, a exposição do Museu da Praia oferece as fotografias de Link Harper, que retratam o dia-a-dia do povoado de Ponta de Mangue, ainda na década de 1970. É possível conferir também as belas imagens da exposição “Autorretrato Nordeste”, um projeto de arte visual que envolve fotografia, cultura e novas tecnologias.

Museu da Praia fica em Ponta de Mangue, Maragogi

Museu da Praia fica em Ponta de Mangue, Maragogi

A arquitetura da casa de pescador que se transformou em museu é uma atração à parte. O quarto para os asseios pessoais guarda uma banheira artesanal feita em barro e outros utensílios que caíram em desuso por culpa da tecnologia. Vale a pena conferir. A entrada é gratuita

  • Serviço
Colagens e pinturas

Colagens e pinturas

O quê: Exposição Cross-Cultural References
Quando: 10 de janeiro a 28 de fevereiro de 2015
Onde: Museu da Praia, Ponta de Mangue, Maragogi
Entrada: Gratuita
Informações: www.thebeachmuseum.com

Contato: (82) 3296-9218

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