Alta estação eleva ocupação de leitos na Costa dos Corais
   Severino  Carvalho  │     22 de dezembro de 2014   │     19:43  │  0

Sim, o verão chegou com suas cores radiantes e temperaturas exacerbadas. É nesse período que as cidades litorâneas também se movimentam em outro ritmo, frenético; recebem visitantes em busca de um pedaço de mar para se refrescar e chamar de seu. Feito fotossíntese, a economia absorve todo esse calor e também floresce para alegria do trade turístico.

Confira reportagem publicada na Gazeta de Alagoas, edição deste domingo (21), sobre a expectativa do setor para a temporada 2014 / 2015 e por que os turistas escolheram este pedaço de litoral abençoado por Deus e bonito por natureza. Boa leitura!

Maragogi, Litoral Norte: abençoado por Deus e bonito por natureza (Fotos: Carlos Rosa)

Maragogi, Litoral Norte de Alagoas: abençoado por Deus e bonito por natureza (Fotos: Carlos Rosa)

A taxa de ocupação dos leitos em hotéis e pousadas durante a temporada turística 2014 / 2015 será de 80% em Maragogi e Japaratinga, no Litoral Norte de Alagoas. A informação é do Costa dos Corais Convention & Visitors Bureau (CCC&VB). A alta estação, a exemplo dos anos anteriores, deve atingir as expectativas do trade turístico.

“Nas festividades de final de ano, como de costume, estamos com 100% de ocupação para o réveillon. Já para o Natal, os hotéis e pousadas apresentam uma ótima ocupação, em torno de 90%, existindo disponibilidade de leitos em alguns meios de hospedagem”, citou o diretor executivo do CCC&VB, Leandro Lira.

De acordo com ele, a previsão para o mês de janeiro de 2015 é de uma taxa de ocupação girando em torno de 80% para os hotéis. Porém, os dois resorts instalados em Maragogi (Grand Oca e Salinas) já apresentam 100% de ocupação para o período.

“O brasileiro está se programando cada vez mais cedo para viajar e nós percebemos isso. Como no ano passado, fechamos as vendas para a temporada muito cedo, ainda em setembro. Estamos com 100% de ocupação desde 15 de novembro até fevereiro (carnaval) do próximo ano”, revelou o gerente geral do Salinas do Maragogi All Inclusive Resort, Ricardo Almeida.

Com 236 apartamentos e cerca de 400 funcionários, o Salinas ficou em 15º lugar no prêmio Travelers’ Choice 2014 All Inclusive, que premia os melhores estabelecimentos do ano com alimentos e bebidas inclusos na hospedagem. Foi o único hotel brasileiro a figurar na lista dos 25 melhores do mundo nesta categoria, divulgada em 18 de novembro pelo Trip Advisor, maior site de viagens do planeta.

“A consolidação do destino Costa dos Corais é real. Hoje temos um nome forte no cenário nacional. Só para você ter uma ideia, existe, atualmente, uma demanda reprimida de 30% de turistas que desejam vir se hospedar no destino, mas que não encontram mais vagas nos três maiores hotéis que trabalham com as operadoras de viagem”, revelou a presidente do CCC&VB, Vergínia Stodolni.

Terceiro maior hotel de Maragogi com 132 apartamentos, o Praia Dourada também vai lotar nas festividades de Natal e réveillon. “Fechamos a venda de nosso réveillon no final de setembro. Para o Natal, apesar de ser uma data em que as pessoas costumam passar em casa, esse ano a gente conseguiu encher também”, festejou o proprietário do Praia Dourada, Hanna Daher, que espera passar toda a temporada com 90% dos leitos ocupados, em média.

Pequenos e médios, mas em alta

Maragogi 2

Costa dos Corais, Maragogi

Engana-se quem pensa que só os grandes hotéis devem faturar nesta temporada. De acordo com o CCC&VB, a ocupação dos leitos em pequenos e médios meios de hospedagem vem crescendo nos últimos anos e deve se consolidar.

“A previsão para janeiro já está em torno de 70%. Nos comparativos em relação a 2013, que fazemos mensalmente, o crescimento dos pequenos meios de hospedagem varia de 5% a 10%, uma ótima marca levando em consideração a implantação de novas pousadas na região”, avaliou Leandro Lira.

“No passado, depois da Semana Santa, a ocupação caía drasticamente. Donos de pousadas davam férias coletivas a seus funcionários e não havia um pé de pessoa na região. Hoje é diferente, não tem mais isso. Os pequenos e médios meios de hospedagem têm uma boa ocupação durante todo o ano”, acrescentou Vergínia.

A boa ocupação de leitos em hotéis e pousadas movimenta toda a economia das cidades instaladas no Litoral Norte de Alagoas. Bares, restaurantes, lojas de artesanato; o comércio em geral eleva as vendas em virtude da presença dos turistas.

O movimento de visitantes também é intenso por causa das piscinas naturais, principais atrativos turísticos de Maragogi e que também estão polvilhadas pela costa de Japaratinga, Porto de Pedras, São Miguel dos Milagres e Passo do Camaragibe. Essas formações recifais, a alguns quilômetros da costa, estão inseridas na Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, maior unidade de conservação marinha do País.

A turista gaúcha Terezinha Artuzi, professora aposentada e moradora de Porto Alegre, disse que assistiu a uma reportagem veiculada no Jornal Hoje da Rede Globo de Televisão sobre as piscinas naturais de Maragogi e veio conhecer de perto as maravilhas marinhas. “Eu vi pela televisão quando a gente já tinha planejado a viagem, o que só reforçou o desejo de vir”, afirmou Terezinha, que não largava a cuia de chimarrão.

“O mar de lá é escuro, da cor de chocolate; aqui é cristalino, uma beleza”, comparou a filha dela, Vanessa Artuzi, na companhia do esposo e do pai. De Salvador, na Bahia, veio o casal Luís Cláudio e Rita Sousa. As belezas naturais de Maragogi também os atraíram. Chegaram ao destino da Costa dos Corais na última sexta-feira e por aqui permanecerão hospedados até o dia 26.

“Essa é a primeira vez em Maragogi. Viemos conhecer esse lugar tão falado por nossos amigos e visitar as piscinas naturais”, entregou Luís Cláudio, que é gerente de Recursos Humanos em Salvador.

Japaratinga e Milagres

Dono de uma pousada no vizinho município de Japaratinga, João Nogueira explica que o trabalho de divulgação feito pelo CCC&VB tem trazido bons resultados em termos de ocupação dos leitos. Ele está otimista com a temporada.

“A gente tem, apesar da crise que o País está enfrentando e bate à nossa porta, alguns indicativos positivos como a alta do dólar que acaba favorecendo o turismo interno. Tivemos recentemente uma matéria no Jornal Hoje da Rede Globo e o reflexo disso é muito imediato: as pessoas começam a ligar, a pesquisar na internet, a fazer as reservas. Então, isso cria uma expectativa extremamente boa”, relatou Nogueira.

“A temporada está bem movimentada. Como diz por aqui: está tudo topado”, brinca Tsachi Greenhut, dono de pousada em São Miguel dos Milagres, município integrante da Rota Ecológica, juntamente com Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres, cujos estabelecimentos hoteleiros se destacam por serem de baixa densidade – poucas unidades habitacionais – e disponibilizarem aos hóspedes um atendimento exclusivo.

Aluguel de imóveis

Embarcações ancoradas no mar de Maragogi aguardam momento de embarque às piscinas naturais

Embarcações ancoradas no mar de Maragogi, ao fundo, aguardam momento de embarque às piscinas naturais

Durante a alta estação, o aluguel de imóveis para veraneio também registra alta no Litoral Norte alagoano.

“A procura por imóveis está grande e começou em setembro. Para o réveillon, tenho poucas unidades à disposição”, comemora o corretor de imóveis, Luiz Carlos Lira, instalado em Maragogi.

O turismo faz girar a roda da economia e nesse carrossel estão inseridos artesãos, a exemplo de seu Benjamin Marques, e o gerente de bar, Edvaldo José da Silva, fixados na orla marítima de Maragogi.

Segundo eles, já é possível perceber um aumento do fluxo turístico na cidade desde o último dia 15 o que só deve se elevar ainda mais nos próximos dias.

“Não só os turistas e os veranistas vêm para a orla. Os nativos, os próprios moradores da cidade, se animam e vêm também com as suas famílias passear”, observou o gerente Edvaldo José.

O vaivém de visitantes na orla de Maragogi acaba atraindo vendedores e artesãos de outras cidades, a exemplo de Caruaru, no Agreste pernambucano. Benjamin Marques critica a falta de ordenamento do setor e a concorrência desleal praticada por quem vem de fora.

“Eles só vêm aqui na temporada, ganham dinheiro e vão embora. A gente que é nativo fica roendo o osso no período das vacas magras que é a baixa estação. No mais, trazem um artesanato que não é daqui”, lamentou ele.

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