Piscinas naturais de Maragogi: mais proteção, menos ganância
   Severino  Carvalho  │     12 de dezembro de 2014   │     19:57  │  0

Piscinas naturais de Maragogi (Foto: Severino Carvalho)

Piscinas naturais de Maragogi (Foto: Severino Carvalho)

Mais uma vez as piscinas naturais de Maragogi foram destaque no quadro “Tô de Folga”, apresentado pelo Jornal Hoje, da rede Globo de Televisão, nesta sexta-feira (12). Produzida pela TV Gazeta de Alagoas – uma de suas afiliadas -, a reportagem mostrou as belezas dessas formações recifais localizadas a cerca de 6 km da costa, e lembrou que todo esse paraíso é fiscalizado pelos órgãos ambientais.

As piscinas naturais de Maragogi começaram a ser exploradas economicamente no início da década de 1990. Hoje são os principais atrativos turísticos do lugar. Também conhecidas como Galés, os frágeis ambientes recifais foram impactados pelo turismo desordenado por anos a fio.

Tentativas de botar “ordem na casa” ocorreram a partir de 1997 com a criação do projeto Recifes Costeiros, em parceria com órgãos municipais e estaduais e a chancela, à época, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) foram firmados, mas, nem sempre, cumpridos.

Essas tentativas de ordenamento, aliás, sempre contaram com a resistência de parte do empresariado, preocupado apenas com o lucro momentâneo. Faltava um arcabouço jurídico.

A maré começou a virar com a criação, em 2007, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que, cinco anos depois, instituiria o Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, maior unidade de conservação marinha do País. O plano, aliás, veio com atraso de 15 anos. Mas veio!

A Unidade possui 150 km de extensão; vai de Paripueira (AL) a Rio Formoso (PE). As piscinas naturais estão inseridas nela. É parte dessa imensa biodiversidade marinha comparada, em terra, com a mata atlântica.

Construído democraticamente, com a participação popular, o Plano de Manejo estabeleceu o ordenamento jurídico que faltava à APA Costa dos Corais; fixou normas ambientais e criou zonas específicas para a pesca, a preservação, a pesquisa e a exploração turística, na busca de conciliar a conservação ambiental com uso sustentável dos recursos naturais.

É verdade que ainda falta muito. O número de fiscais é insuficiente, há carência de um trabalho educativo mais amplo, entretanto, uma coisa não podemos negar: o ordenamento nas piscinas naturais melhorou. E muito.

Lembro de ir até as Galés e me deparar com quase duas mil pessoas confinadas entre os corais que, além de sofrerem com o pisoteio, eram massacrados pelas âncoras das embarcações que levavam os turistas até lá. Sem falar da pesca predatória, da ração canina ofertada aos peixes para atrai-los, uma infinidade de crimes ambientais.

O número de visitantes foi reduzido drasticamente, minimizando os impactos sobre a fauna e a flora marinhas; multas pesadas foram lavradas, embarcações e outros equipamentos, apreendidos. Aos poucos, no ritmo do plácido mar de Maragogi, a consciência dos que frequentam e exploram as piscinas naturais vai mudando. Protegê-las não é uma missão apenas dos órgãos ambientais, mas de todos nós, cidadãos!

Link para a matéria do Jornal Hoje:

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/12/maragogi-tem-maior-area-de-protecao-maritima-do-brasil.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=jh

 

 

>Link  

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *