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Maragogi ganha Núcleo do Turismo Rural
   Severino  Carvalho  │     19 de maio de 2014   │     21:23  │  1

Avestruzes na Fazenda Lavragem (Fotos: Guilherme Artigas)

Avestruzes na Fazenda Lavragem (Foto: Guilherme Artigas)

Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, faz parte do seleto time de 24 roteiros turísticos nacionais que integram o Programa Talentos do Brasil Rural. No total, são 54 municípios brasileiros localizados no entorno das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de Futebol que, durante o torneio internacional, vão receber fluxo turístico.

Criado em outubro de 2009, o Programa é resultado do Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério do Turismo (Mtur), o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Sebrae. O objetivo é implementar ações conjuntas que busquem identificar, ordenar, promover e fortalecer a relação entre a agricultura familiar e a atividade turística.

Maragogi se beneficiou da proximidade com Recife. São apenas 130 km de distância entre o segundo polo hoteleiro de Alagoas e a sede pernambucana da Copa do Mundo. Como um centroavante habilidoso, a Cooperativa dos Pequenos Agricultores Organizados (Coopeagro) vislumbrou a defesa aberta, adentrou a área e marcou um gol de placa, em favor da agricultura familiar.

Foi a Coopeagro, gerida pela Associação das Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus, que lançou a proposta para participar do programa por meio de chamamento público realizado pelo Sebrae do Rio Grande do Sul. Há cerca de dois anos, os integrantes da cooperativa vêm recebendo treinamento ofertado por técnicos do Sebrae.

O projeto ganhou corpo e de roteiro se transformou em Núcleo do Turismo Rural de Maragogi. São três produtos oferecidos que misturam ecoturismo, agroturismo e história. A proposta inova ao estabelecer novos roteiros numa cidade onde a atividade turística é lastreada apenas no turismo de sol e mar.

“Aqui eu costumo falar que eles estão fora da curva, porque existe um número grande de pessoas envolvidas. Esses roteiros têm aproximadamente, entre empresários, proprietários rurais, agricultores familiares, umas 100 pessoas envolvidas. Mais que um roteiro é um núcleo de turismo rural estabelecido”, salientou a consultora Andréa Roque, do projeto Talentos do Brasil Rural.

Plano de comunicação

Andréa esteve em Maragogi para acompanhar evolução do programa (Foto: Carlos Rosa)

Andréa esteve em Maragogi para acompanhar evolução do programa (Foto: Carlos Rosa)

O plano de comunicação, formatado para o Programa Talentos do Brasil Rural, foi lançado, em Brasília, durante solenidade que contou a presença do ministro do Turismo, Vinícius Nobre Lages, em abril. Segundo a consultora Andréa Roque, o plano foi elaborado pelas assessorias do Sebrae e dos dois ministérios envolvidos no projeto.

“O projeto nasceu para a Copa do Mundo. Ele entra agora na fase de promoção oficial internacional. Existem dois formatos dessa divulgação: um é o material promocional internacional que vai ser entregue à imprensa estrangeira e às delegações. A outra serão ações de fampress com esses jornalistas internacionais para que conheçam os destinos e gerem mídia”, revelou Andréa.

Os turistas internacionais e regionais que estarão nas cidades-sede durante o torneio de futebol também receberão material de divulgação dos destinos e serão convidados a conhecer os Talentos do Brasil Rural.

“Os turistas que estarão em Recife durante a Copa terão informações sobre o roteiro disponibilizadas. Não existe nenhuma ação para trazê-los fisicamente. Temos uma agência operando neste sentido, mas isso é uma questão empresarial”, destacou a consultora.

Muito se fala do legado da Copa do Mundo e certamente o Talentos do Brasil Rural será um deles, na avaliação de Andréa. Segundo ela, a meta com o programa é gerar fluxo turístico aos municípios que serão beneficiados pelos próximos cinco anos. O turismo não será apenas durante a Copa. O turista vai retornar depois. Essa vai ser a lógica. Nós vamos embora, e o projeto fica”, destacou.

Além do sol e do mar

Almoço no Cabos Agritur, no Assentamento Bom Jesus (Foto: Divulgação)

Almoço no Cabos Agritur, no Assentamento Bom Jesus (Foto: Divulgação)

Os atrativos do Núcleo do Turismo Rural de Maragogi estão montados sobre um tripé: o ecoturismo, o agroturismo e o turismo histórico. No assentamento Água Fria, o visitante poderá caminhar pela Trilha do Visgueiro, com árvores centenários e frondosas; no Bom Jesus, conhecer a produção da agricultura familiar e provar da culinária regional; nas fazendas Lavragem e Jenipapo, viajar no tempo até o início do século 19, quando foi travada a Guerra dos Cabanos (1832 e 1836), movimento restaurador cujo objetivo era restituir ao trono do Brasil o imperador dom Pedro I.

Em abril, a missionária Miriam Zendron, colaboradora da Cooperativa dos Pequenos Agricultores Organizados (Coopeagro), acompanhou um grupo de italianos até o assentamento Bom Jesus, onde vivem 105 famílias de agricultores da reforma agrária. O núcleo rural é um dos mais viçosos e produtivos de Maragogi.

Segundo a missionária, que também é italiana e mora em Maragogi desde a década de 1990, os visitantes gostaram do que viram, ouviram e sentiram, numa perfeita integração de culturas. “Enquanto a dona da casa cozinhava uma galinha caipira, os europeus preparavam uma polenta. O cruzamento dos sabores autênticos foi realmente perfeito e o povo foi embora satisfeito”, contou Miriam.

Ao chegar ao assentamento Bom Jesus, o visitante é convidado a fazer um passeio num “trenzinho” puxado por um trator. De casa em casa, de lavoura em lavoura, eles vão descobrindo como é o dia a dia do homem do campo, provando dos sabores frugais da estação.

“O Bom Jesus tem a característica de ter muitos morros. Em cada morro, tem pelo menos um ou dois agricultores que valem a pena visitá-los. São criadores de codorna, fazedores de um bolo maravilhoso de massa puba, no forno à lenha. Sobretudo, para o estrangeiro, é interessante entrar no campo e ver como nasce um abacaxi no coração da planta, como se desenvolve um cacho de banana”, observou Miriam.

O trabalhador rural Rivaldo Vasconcelos, 43 anos, montou uma pequena estrutura para receber os visitantes ao lado da casa dele. Batizou o local de Cabanos Agritur. O nome rebuscado esconde uma comida aparentemente simples, mas original, saborosa.

“Nós não podemos viver apenas da agricultura. Existem outros caminhos. Se a ideia pegar, isso não será bom apenas para o agricultor familiar, mas para todos os hotéis e pousadas de Maragogi, porque o turista depois de conhecer as praias, vai querer conhecer o campo. Ele terá então de ficar mais três dias hospedados em Maragogi para conhecer nosso roteiro”, salientou Vasconcelos.

Trilha

Trilha do Visgueiro, uma das atrações do Núcleo do Turismo Rural de Maragogi (Foto: Severino Carvalho)

Trilha do Visgueiro, uma das atrações do Núcleo do Turismo Rural de Maragogi (Foto: Severino Carvalho)

Já o passeio pela Trilha do Visgueiro é desenvolvido no Assentamento Água Fria. O roteiro existe desde 2004, criado pela Coopeagro em meio a um basto remanescente de mata atlântica.

“A trilha deveria ser chamada dos visgueiros, no plural, porque são muitos. Ali se pode passear por dentro da mata e se pode gozar de um refrescante banho de bica”, descreve Miriam.

A criação do passeio em 2004 descortinou um Maragogi rural, fértil em atrativos turísticos, mas pouco aproveitado, apresentando-se como uma alternativa ao binômio “sol e mar” que se espraia pelo belo litoral do município.

Gerida em parceria com a Associação das Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus e financiada pela entidade italiana sem fins lucrativos, denominada  “Província Autônoma de Trento”, a Coopeagro capacitou oito agricultores do assentamento, instalou condições básicas de infraestrutura ao longo do trajeto e divulgou o atrativo junto ao trade turístico.

Antes de ingressar na trilha, é possível conhecer também o genuíno artesanato da fibra da bananeira, desenvolvido pela Associação Mulheres de Fibra, formada pelas esposas dos trabalhadores rurais.

Serviço

  • Trilha do Visgueiro / Passeios em Bom Jesus / Fazendas Lavragem e Jenipapo
  • Quem faz: Coopeagro
  • Onde: Sede da cooperativa, rodovia AL-101 Norte, bairro Santa Tereza Verzeri, Maragogi, Alagoas.
  • Contato: (82) 3296-2010
  • Valor: Sob consulta

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Costa dos Corais é coisa de cinema
   Severino  Carvalho  │     7 de maio de 2014   │     19:38  │  0

Filme foi ambientado no Litoral Norte de Alagoas, nas praias de São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras (Foto)

Filme foi ambientado no Litoral Norte de Alagoas, nas praias de São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras (Fotos: Jonathan Lins/G1 AL)

Que a Costa dos Corais é coisa de cinema, isso já se sabia. A novidade agora é que o edênico Litoral Norte de Alagoas estará em cartaz num dos principais festivais de cinema do mundo: Cannes.

O curta-metragem Sem Coração, dirigido pela alagoana Nara Normande e pelo pernambucano Tião, foi ambientado no Litoral Norte alagoano e estará, a partir do próximo dia 14 de maio, exposto na programação da Quinzena dos Realizadores do Festival, que ocorre no sul da França.

O curta conta a história de Léo, um adolescente de classe média urbana que vai passar férias na casa do seu primo, numa pequena vila pesqueira. Lá, ele se apaixona por uma menina que usa marca-passo – e por isso é chamada de “Sem Coração” – e faz uma imersão em um ambiente mais selvagem, diferente de sua rotina.

Rodado entre as cidades alagoanas de São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras, o filme Sem Coração conta com um elenco totalmente alagoano. Os atores principais são os jovens Eduarda Samara, 14 anos, que interpreta a “Sem Coração”; Rafael Nicácio, 15, que dá vida a Léo; e Ricardo Lavenère, 14, representando o primo Vitinho.

“A filmagem foi ótima, trabalhamos com uma equipe muito legal e o pessoal de São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras foi muito receptivo. Gravar com os meninos foi muito bom também, apesar de termos tido um pouco de trabalho com alguns deles por conta da idade (risos). Mas, felizmente, tivemos a ajuda dos pais deles, que colaboraram bastante com a gente”, afirmou Nara Normande.

Os garotos que fazem o filme são parte do grupo de dez adolescentes que foram escolhidos em testes feitos no estado. Rafael e Ricardo são de Maceió, enquanto Eduarda e os outros sete são do município de Porto de Pedras e redondezas. A preparação dos jovens atores foi realizada pela atriz Maeve Jinkings (‘O Som ao Redor’ e ‘Falsa Loura’).

“Foi importante para o processo de construção do filme passar um tempo maior nas filmagens. Normalmente um curta-metragem é feito em sete dias, mas nós acabamos de filmar todas as tomadas em três semanas, somando todas as etapas, inclusive a subaquática”, explicou.

A diretora 

Todo o elenco é alagoano

Elenco do curta-metragem é alagoano

Este é o segundo filme produzido pela alagoana Nara Normande, que, apesar de nascida em Maceió em 1986, passou os seus últimos 14 anos no Recife. Sua primeira obra, animação em stop motion intitulada Dia Estrelado, ganhou mais de 20 prêmios, entre eles o prêmio da crítica brasileira de melhor curta-metragem no 22º Cine Ceará, melhor direção no Amazonas Film Festival, melhores do público no Festival Internacional de Curtas de São Paulo, além de ter sido finalista no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2013.

Atualmente, Nara Normande está trabalhando na edição de um novo curta, chamado Guaxuma. Segundo ela, a obra se trata de um resgate por suas lembranças de infância e também de um triste fato em sua vida. “É um filme-memória, que caminha pelas minhas mais belas e tristes lembranças, da infância na praia e da perda recente de uma grande amiga”, concluiu.

Produzido por Trincheira, Garça Torta e CinemaScopio, Sem Coração, o curta que será exibido em Cannes, teve o patrocínio do Governo de Pernambuco, através do edital Funcultura Audiovisual, co-patrocínio da Prefeitura do Recife, além do apoio do Governo de Alagoas e da Pousada do Toque, localizada em São Miguel dos Milagres. O Festival de Cannes se encerra no próximo dia 25 de maio.

Com Agência Alagoas

 

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