Monthly Archives: janeiro 2014

Grupo Salinas resgata tradicional corrida de São Gonçalo
   Severino  Carvalho  │     28 de janeiro de 2014   │     19:14  │  3

Largada aconteceu na Praça dos Cabanos. Percurso foi de 8.170 metros até a Fazenda Marrecas Eco Hotel (Divulgação)

Largada aconteceu na Praça dos Cabanos; percurso foi de 8.170 metros até a Fazenda Marrecas Eco Hotel (Divulgação)

O grupo hoteleiro Salinas resgatou a tradicional corrida de São Gonçalo, realizada em Maragogi. Depois de quase dez anos sem a prova, a competição voltou com força total em 2013.

Este ano, o número de inscritos superou as expectativas e atraiu até a atleta olímpica Marily dos Santos, que venceu na categoria feminina.

“Sou atleta olímpica, mas não é por isso que vou deixar de participar de corridas em Alagoas, como essa aqui em Maragogi, muito bem organizada. Fico muito agradecida de correr aqui no Nordeste, porque sou nordestina”, disse Marily.

Alagoana de Joaquim Gomes, ela venceu, na tarde do sábado (25), a 12ª edição da Corrida de São Gonçalo. Marily completou o percurso de 8.170 metros em 30 minutos e 36 segundos, da Praça dos Cabanos à Fazenda Marrecas Eco Hotel, zona rural do município turístico.

Depois de viver um drama pessoal no ano passado por causa da morte da mãe e de uma sobrinha, Marily projeta um 2014 com melhores resultados em competições nacionais e internacionais. Em 2008 e 2009, ela subiu ao pódio da São Silvestre em terceiro lugar, mas nesta última edição ficou apenas na 16ª posição.

Atleta olímpica, Marily dos Santos participou de corrida em Maragogi (Foto: Severino Carvalho)

Atleta olímpica, Marily dos Santos participou de corrida em Maragogi (Foto: Severino Carvalho)

“Eu não estava com a cabeça muito boa, sem foco, mas como sou uma profissional tive de estar lá. Dois mil e treze foi um ano muito conturbado para mim. Mas, minha família me deu forças e eu completei a prova. Fiz a minha parte”, disse a atleta olímpica.

A 12ª Corrida de São Gonçalo é realizada pelo Grupo Salinas e nesta edição reuniu 200 competidores, número 25% maior em comparação à última etapa.

“A corrida existia desde a época da destilaria São Gonçalo. Quando fechamos a indústria, foi desativado tudo. No ano passado, veio na cabeça de reativar a corrida com novo percurso”, lembrou o hoteleiro Márcio Vasconcelos, dono do resort Salinas do Maragogi.

Na categoria masculina, o vencedor da 12ª Corrida de São Gonçalo foi Marcos Antônio Pereira que completou o percurso em 25 minutos e 12 segundos. Subiram ao pódio ainda José Nilson de Jesus (2º colocado) e Daniel Henrique Alves (em 3º).

No feminino, ocuparam o segundo e terceiro lugares, respectivamente, Mirian Farias da Silva e Maria de Lurdes Ferrreira, com Marily em primeiro. Os primeiros colocados nas duas categorias receberam troféu e prêmio de R$ 1 mil, sendo R$ 600 para o segundo e R$ 300 ao terceiro.

“Foi muita justa a mesma premiação para as duas categorias. Foi bonito ver as mulheres correndo. Elas não ficaram apenas para ralar a barriga no fogão e no tanque de lavar”, finalizou Marily.

Confira os vencedores:

Masculino

1º  Colocado

MARCOS ANTONIO PEREIRA

2º  Colocado

JOSÉ NILSON DE JESUS

3º Colocado

DANIEL HENRIQUE ALVEZ

Feminino

1º  Colocada

MARILY DOS SANTOS

2º  Colocada

MIRIAM FARIAS DA SILVA

3º  Colocada

MARIA DE LURDES FERREIRA DE SOUZA

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São Miguel dos Milagres é SUPimpa!
   Severino  Carvalho  │     25 de janeiro de 2014   │     15:20  │  0

O irrequieto Fabrizio flana nas águas da foz do Tatuamunha, entre Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres (Fotos Severino Carvalho)

O irrequieto Fabrizio flana nas águas da foz do Tatuamunha, entre Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres (Fotos Severino Carvalho)

Assim como a idílica São Miguel dos Milagres, há um esporte que está na crista da onda no Brasil e, claro, em Alagoas, paraíso das águas.

Refiro-me ao stand up paddle ou simplesmente SUP. A prática não economiza quando o assunto é exercitar o corpo: braços, pernas, peitoral, costas, tudo em movimento e sem restrição de idade. Basta disposição, uma prancha e um remo.

Nas minhas idas a Maceió, em passeios pela belíssima orla de nossa capital, percebi que o esporte caiu de vez no gosto do alagoano. Novidade pra mim foi saber que, por estas paragens do Litoral Norte, a prática já existia há pelo menos três anos.

O irrequieto Fabrizio Borboni, um italiano de 38 anos de idade, é um dos pioneiros do SUP em Alagoas. Chegou e parou de vez no Litoral Norte do Estado, depois de percorrer todo o Nordeste em intervalos entre uma corrida e outra da Fórmula Truck, que cobria como fotógrafo.

Fabrizio tem o SUP nos olhos

Fabrizio tem o SUP nos olhos

“Fui a Fortaleza, desci pela praia até o litoral de Recife, Porto de Galinhas. Fiquei curioso e decidi mudar de vida para vir morar aqui, onde nasceu meu filho. Eu decidi vir a esse lugar fantástico para criá-lo até a idade da escola. Acabei ficando”.

Ficou e fincou raízes ao construir a Pousada do Sonho. Estabelecimento de baixa densidade, aconchegante, como boa parte das hospedarias existentes na Rota Ecológica, destino turístico que engloba os municípios de Passo de Camaragibe, São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras.

Na Pousada do Sonho o hóspede pode se banquetear num autêntico restaurante italiano e se aventurar na prática do SUP, sob a orientação de Fabrizio.

Saímos numa tarde ensolarada de domingo em direção à foz do rio Tatuamunha, cenário perfeito para a prática esportiva. Quando a maré baixa, o delta ganha lagoas emolduradas por coqueiros desgrenhados pelo vento, entre Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres.

Pousada do Sonho oferece aulas de SUP ao preço de R$ 70 a hora

Pousada do Sonho oferece aulas de SUP ao preço de R$ 70 a hora

O remanso – de águas mornas – é o lugar perfeito para a iniciação do SUP. Depois da dicas de Fabrizio, lá estava eu dando as primeiras remadas, cheio de estilo, depois de alguns tombos, claro.

Meu cunhado, Lucas Rainieri, 16, foi mais rápido e economizou nas quedas, antes de flanar.

“Alagoas é desenhado para o SUP. É perfeito! A jangadinha do pescador com remo, isso é o SUP. A história é essa. A tecnologia agora inventou essa prancha. Eu vou no mar aberto com o SUP; vou nos rios, pego ondas no mar aberto”, contou Fabrizio, que também pratica o kitsurf e o surf.

“No SUP, você consegue remar a 5 km/h, então a bancada aqui tem um quilômetro de extensão, em 15 minutos eu estou lá. Em uma hora, eu posso visitar três quilômetros de bancada e encontrar ondas que com uma pranchinha eu não poderia fazer”, observou.

Como boa parte dos esportes náuticos que utilizam prancha, o SUP, como o conhecemos hoje, nasceu no Havaí há cerca de dez anos, nos conta Fabrizio. A prática, no entanto, remonta a um passado aristocrático.

Foz do Tatuamunha, lugar perfeito para a prática do SUP

Foz do Tatuamunha, lugar perfeito para a prática do SUP

“Os reis havaianos já surfavam em pé. O povo em geral surfava em pedaços de madeira quaisquer. Depois, isso se transformou no surf moderno, de prancha. Era um esporte aristocrático até na forma de se praticar, em pé, e necessidade de muita madeira e remo”, contou Fabrizio.

Na atualidade, não podemos afirmar que o SUP é um esporte popular. Para praticá-lo é preciso investir cerca de R$ 3 mil na compra dos equipamentos: prancha, remo, vestimentas. Ou desembolsar R$ 70 por uma hora de aula com Fabrizio e se deleitar com as paisagens oníricas do Litoral Norte de Alagoas, em plácidos passeios.

“Para se praticar SUP – em qualquer idade, qualquer nível – o ideal é água parada, lagoas; não tendo correnteza é o mais fácil. É o que chamamos de água flat. Torna-se um treino seguro, simples, na prática de um ótimo esporte, completo”, descreveu.

Serviço

  • Pousada do Sonho
  • Praia de Porto da Rua, São Miguel dos Milagres
  • Telefone: (82) 9910-9221

www.pousadadosonhoalagoas.com

contato@pousadadosonhoalagoas.com

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Na contramão, resort fecha as portas em São Miguel dos Milagres
   Severino  Carvalho  │     23 de janeiro de 2014   │     15:24  │  1

Na contramão do bom momento vivido pela hotelaria em São Miguel dos Milagres, resort fecha as portas (Fotos: Severino Carvalho)

Na contramão do bom momento vivido pela hotelaria em São Miguel dos Milagres, resort fecha as portas (Fotos: Severino Carvalho)

Construído em 1998 e administrado nos últimos dez anos pela empresária catarinense Lores Ceratti, o resort Costa dos Corais, antigo Tarumã, fechou as portas em São Miguel dos Milagres, Litoral Norte de Alagoas. Arrendatária, Lores alegou que “um imbróglio jurídico” entre o proprietário e o banco investidor a impedia de promover reformas na antiga estrutura, o que inviabilizou o negócio.

“Meu sentimento é mais de alívio do que de decepção, porque tenho a certeza de que fiz o meu melhor durante todo esse tempo em que estive à frente do negócio. Digo alívio porque toda temporada era a mesma coisa: eu queria promover melhorias e não podia”, declarou a empresária.

O hotel fechou as portas no último dia 6 de janeiro, em plena a alta temporada turística, com taxa de ocupação perto de 100%, na contramão do bom momento vivenciado pela rede hoteleira do Litoral Norte de Alagoas. Foram extintos cerca de 40 postos de trabalho, todos ocupados por moradores de São Miguel dos Milagres.

Segundo Lores, ela investiu R$ 600 mil logo que recebeu o hotel, em 2004, após falência da Varig, que o administrava através da Rede Tropical. “A estrutura do hotel é antiga e precisa de melhorias, mas eu não podia mais investir porque há um litígio entre o proprietário do hotel e o banco”, argumentou a empresária.

Grupo investidor de São Paulo já está realizando estudo para reabrir hotel

Grupo investidor de São Paulo já está realizando estudos para reabrir hotel

Ouvida pela Gazeta, a secretária de Estado do Turismo, Danielle Novis, lamentou o fechamento do Costa dos Corais, mas acredita que, em breve, o resort reabrirá as portas. “A região de São Miguel dos Milagres está muito bem na fita e, logo, logo, o hotel despertará o interesse de algum investidor”, disse Novis. De fato. A Gazeta apurou que um grupo de investidores de São Paulo (SP) já iniciou o levantamento da situação estrutural do hotel para reabri-lo dentro seis meses.

“Não sei se foi feito um arrendamento ou aquisição. O fato é que o hotel vai reabrir. A estimativa é de seis meses, mas creio que se consegue abrir antes, vai depender do projeto arquitetônico que se pretende fazer aqui. É preciso uma revitalizada nas partes estrutural, elétrica, hidráulica, de telefonia, enfim, de infraestrutura geral”, afirmou o relações públicas Roberto Valença, contratado pelo grupo de investidores.

Fonte: Gazeta de Alagoas (Sucursal Maragogi)

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Salinas do Maragogi na lista dos melhores do mundo do Trip Advisor
   Severino  Carvalho  │     22 de janeiro de 2014   │     19:12  │  1

Salinas, em Maragogi, um dos melhores do mundo na categoria Família

Salinas, em Maragogi, figura entres os melhores resorts do mundo na categoria Família

O Salinas do Maragogi All Inclusive Resort foi eleito o 2° melhor hotel do Brasil na categoria Família pelo Trip Advisor, site que premiou 7,1 mil hotéis em todo o planeta com o Travellers´Choice 2014.

O Salinas também está na lista dos 134 estabelecimentos hoteleiros que figuram na relação dos melhores do mundo, número que coloca o País na oitava colocação entre os agraciados. No Brasil, o Salinas ficou entre os 15 mais bem avaliados, ocupando a 14ª  colocação.

“O Brasil também se destacou na categoria Melhores Hotéis da América do Sul para viajar com a família, com 19 empreendimentos escolhidos entre 25, sendo o Hotel Ritta Höppner, em Gramado, o primeiro colocado. Outro que está entre os melhores do mundo é o Resort Salinas do Maragogi (AL), também presente na lista da categoria Família”, escreveu o site Pan Hotéis, especializado no setor.

O Trip Advisor mede a satisfação dos clientes que se hospedam nos estabelecimentos hoteleiros pesquisados em todo o mundo e atribuem notas aos serviços e acomodações, compartilhando experiências.

“Estamos muito felizes. Trata-se de uma notícia fantástica, que só aumenta nossa responsabilidade para mantermos o padrão de excelência que ofertamos a nossos clientes”, comemorou o gerente-geral do Salinas do Maragogi, Ricardo Almeida.

Desta feita, os empreendimentos foram divididos nas categorias Melhores Hotéis, Menores Preços, Pousadas & Acomodações, Família, Luxo, Hotéis de Pequeno Porte e Romance.

Em Alagoas, além do Salinas do Maragogi, figura na lista o Radisson Hotel Maceió, que ocupa a 20ª do ranking na América do Sul e a 4ª colocação na lista dos mais bem avaliados no Brasil.

No ano passado, estabelecimentos alagoanos já tinham se destacado na premiação: http://blogsdagazetaweb.com.br/costadoscorais/?s=Trip+Advisor

 

Confira abaixo a posição dos empreendimentos brasileiros na categoria Melhores Hotéis:

 

Fundando na década de 1990, resort Salinas foi um dos pioneiros do turismo em Maragogi

Fundando na década de 1990, resort Salinas foi um dos pioneiros do turismo em Maragogi

1. Hotel Estalagem St Hubertus, Gramado (RS) – 6º do ranking América do Sul
2. Rancho do Peixe, Preá (CE) –7º do ranking América do Sul
3. Hotel das Cataratas by Orient-Express, Foz do Iguaçu (PR) – 15º do ranking América do Sul
4. Radisson Hotel Maceió, Maceió – 20ª do ranking América do Sul
5. Hotel Casa da Montanha, Gramado (RS) – 21º do ranking América do Sul
6. Four Points By Sheraton Curitiba, Curitiba – 24º do ranking América do Sul
7. L´Hotel Porto Bay São Paulo, São Paulo (SP) – 25º do ranking América do Sul
8. Hotel Nannai Beach Resort, Ipojuca (PE)
9. Quality Hotel Curitiba, Curitiba
10. Grand Hyatt São Paulo, São Paulo
11. Hotel Transamérica Ilha de Comandatuba, Ilha de Comandatuba (BA)
12. Serrano Resort Convenções & Spa, Gramado (RS)
13. Radisson Hotel Maiorana Belém, Belém
14. Salinas do Maragogi All Inclusive Resort, Maragogi (AL) – 2° na categoria Família no Brasil
15. Costa do Sol Boutique Hotel, Búzios (RJ)
16. Grande Hotel Campos do Jordão, Campos do Jordão (SP)
17. Casas Brancas Boutique Hotel & Spa, Búzios (RJ)
18. Hotel Fasano São Paulo, São Paulo
19. Intercontinental São Paulo, São Paulo
20. Copacabana Palace Hotel by Orient-Express, Rio de Janeiro
21. Bourbon Atibaia Convention & Spa Resort, Atibaia (SP)
22. Hotel Alpestre, Gramado (RS)
23. Miramar Hotel by Windsor, Rio de Janeiro (RJ)
24. Deville Cuiabá, Cuiabá
25. Deville Porto Alegre Aeroporto, Porto Alegre (RS)

A lista completa em:

http://www.tripadvisor.com.br/TravelersChoice-Hotels

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Passeio de observação do peixe-boi movimenta turismo comunitário
   Severino  Carvalho  │     14 de janeiro de 2014   │     11:45  │  4

Finalizando a série de postagens sobre o turismo de base comunitária, aqui vai a última parte da reportagem especial produzida para o jornal Gazeta de Alagoas. Boa leitura!

Comunidade ribeirinha lucra com o turismo de observação do peixe-boi marinho em Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres (Fotos: Carlos Rosa)

Comunidade ribeirinha lucra com o turismo de observação do peixe-boi marinho em Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres (Fotos: Carlos Rosa)

Em meio a pousadas requintadas, cuja diária ultrapassa a cifra dos mil reais, se desenvolve o turismo de base comunitária no plácido e belo Litoral Norte de Alagoas. Numa perfeita simbiose entre homem e animal, os ribeirinhos de Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres se utilizam da presença de um bicho rechonchudo e de aparência meiga para lucrar com atividades que vão do turismo de observação ao artesanato, tudo focado na figura do peixe-boi marinho.

A atividade econômica regrada, por outro lado, favorece a preservação do mamífero aquático mais ameaçado de extinção no Brasil. Na APA Costa dos Corais, a espécie encontrou o seu refúgio. Foi no estuário do Rio Tatuamunha, em Porto de Pedras, que o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), instalou o recinto de readaptação do Projeto Peixe-Boi Marinho, em 2008.

Com 30 anos de atuação nas áreas de resgate e reabilitação de filhotes órfãos o projeto tem, desde 1994, realizado a reintrodução e o monitoramento desses animais. Mas a presença dos bichos reintroduzidos no litoral alagoano não foi nada amistosa de início. Os pescadores foram impedidos de pescar nas áreas de ocorrência. Quem insistia, tinha as redes rasgadas pelos animais que chegam a pesar 500 kg e a medir quatro metros. Em retaliação, os ribeirinhos chegavam a espancar o bicho indefeso.

A maré começou a virar quando os moradores passaram a perceber o fascínio que o peixe-boi despertava nos turistas das pousadas instaladas nos dois municípios. Iniciou-se a atividade do turismo em torno do animal, mas de forma desorganizada.

O ICMBIO e o CMA tomaram as rédeas da situação e, através do Ministério Público Federal e Estadual, foi proposto um Temo de Ajustamento de Conduta (TAC) que ordenou a atividade. Os ribeirinhos, então, criaram, em 2009, a Associação Peixe-Boi, que hoje agrega 48 associados – capacitados e credenciados pelo ICMBio. Transformados em condutores e remadores, eles encontraram uma farta fonte de renda, sem deixar suas atividades tradicionais: a pesca e a agricultura.

A bióloga Flávia acompanha o casal de turistas vindo do Mato Grosso durante passeio ao recinto do peixe-boi

A bióloga Flávia acompanha o casal de turistas vindo do Mato Grosso durante passeio ao recinto do peixe-boi

“O turismo de observação do peixe-boi, tirando as pousadas, é o maior gerador de renda nos dois municípios. Muitas pessoas trabalham no turismo de observação e outras conseguem tirar uma renda indiretamente, trabalhando com o artesanato, como ambulante”, disse a bióloga e condutora Flávia Rêgo.

A associação possui sede instalada no povoado de Tatuamunha, em Porto de Pedras. Ali, são oferecidos até 10 passeios diários de jangada a remo pelo Rio Tatuamunha até o recinto de reintrodução do peixe-boi. São 70 pessoas por dia que embarcam na aventura, com direito à trilha suspensa pelo basto manguezal, ao preço de R$ 40 por ingresso.

“Antes, a gente recebia o público da pousada. Isso ainda acontece muito, mas as pessoas passaram a se hospedar só para ver o peixe-boi”, comemora Flávia.

Vendas

Artesã produz mensalmente 500 unidades de pelúcia do peixe-boi

Artesã produz mensalmente 500 unidades de pelúcia do peixe-boi

Procedente de Cuiabá (MT), o casal Antônio e Sirlene Moraes foge do turismo  de massa. Hospedados em Maceió, eles correm dos pacotes triviais e caros oferecidos pelas agências e rumaram em direção a Porto de Pedras em carro locado.

Lá, o passeio foi realizado sob a supervisão de Flávia Rêgo. Dois remadores conduziram a jangada até o recinto, onde o casal pôde observar o hibernar de “Telinha”, uma fêmea de três metros e 320kg.

“Ao lado do turismo comunitário, nós falamos de polícia comunitária, de medicina comunitária, então esse é o caminho para o País. O cidadão passa a ser inserido na comunidade, a ser responsável também, aí você consegue respostas melhores. Voltarei várias vezes e trarei meus amigos”, disse Antônio, militar aposentado e sub-secretário de Defesa Social.

Ao fim do passeio, o casal pôde se refrescar com a água de coco vendida pelo pescador e relojoeiro de nome exótico: Jenne Cliff. Durante as manhãs, ele é vendedor e, à tarde, ajusta dos ponteiros e sai para pescar. Puderam também adquirir um souvenir em formato de… Peixe-boi!

Pescador, Jenne Cliff também fatura com a venda de coco aos turistas

Pescador, Jenne Cliff também fatura com a venda de coco aos turistas

Os bichinhos de pelúcia são confeccionados na oficina Peixe-Boi e Arte da artesã Maria José dos Santos. Ela deixou a profissão de governanta num hotel para se transformar em microempreendedora. Produz 500 unidades mensais que custam entre R$ 12 e R$ 100, a peça.

“O peixe-boi é minha fonte de inspiração e de renda. Esse bicho de pelúcia é mais do que uma lembrança é uma forma de preservar o animal”, declarou ela, que conta com o apoio do Instituto Yandê (ONG).

 

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