Turismo se faz com boas estradas. E as nossas?
   Severino  Carvalho  │     9 de agosto de 2013   │     12:28  │  2

Mais uma vez, peço licença aos leitores para tratar de um assunto nada agradável, mas que precisa ser arrostado para que a atividade turística na região da Costa dos Corais não seja mais prejudicada do que já está. O assunto é recorrente: as nossas rodovias encontram-se em estado lastimável de conservação. Reúno, nesta postagem, duas reportagens feitas recentemente por este blogueiro nas páginas da Gazeta de Alagoas com o objetivo de denunciar a situação e cobrar providências urgentes aos órgãos competentes, porque turismo se faz com boas estradas.

Passo de Camaragibe

Situação da AL-435, em Passo de Camaragibe

Situação da AL-435, em Passo de Camaragibe (Fotos: Carlos Rosa)

Os usuários da AL-435, principal corredor viário de acesso ao destino turístico da Rota Ecológica, não estão nada satisfeitos com o serviço de tapa-buraco iniciado na última segunda-feira pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Eles criticam a lentidão do ritmo de trabalho, em função dos poucos operários engajados na operação, e acreditam que só um recapeamento total pode livrar a rodovia da buraqueira que se espraia de canto a canto.

“Tapar um buraco aqui e outro acolá não vai resolver. Tem de recuperar a rodovia por inteiro, porque, desse jeito, os buracos vão abrir de novo”, afirmou o taxista Teovane Leandro Santos, 38 anos. A rodovia foi construída há cerca de 20 anos e, segundo os usuários, nunca passou por um serviço de recapeamento. Seguidas operações do tipo tapa-buraco transformaram-na numa colcha betumada de retalhos, agora polvilhada de buracos.

“Não são buracos, são crateras”, corrige o comerciante Reinaldo Gomes de Oliveira. De acordo com ele, motoristas e moradores dos municípios de Passo de Camaragibe, São Miguel dos Milagres e de Porto de Pedras organizaram um protesto que aconteceria na segunda-feira passada, mas resolveram suspender a manifestação depois que o DER prometeu melhorar as condições de trafegabilidade da via.

“O que queremos é o recapeamento total”, clama Oliveira, alertando que a manifestação pode ser retomada, caso o trabalho do DER fique apenas no paliativo. Corine Vard, presidente da Associação da Rota Ecológica de Alagoas (Areal), entidade que reúne donos de pousadas nos três municípios turísticos, não é favorável ao protesto com fechamento de pista, apesar dos prejuízos que o setor hoteleiro vem acumulando por causa das péssimas condições da estrada.

“O DER nos informou que há projetos para construção de rodovias e melhorias das que já existem. Mas, estamos em Alagoas e precisamos esperar, ter paciência. Acho inadequado fechar a pista, porque, dessa forma, todos serão prejudicados”, ponderou a hoteleira.

Ontem pela manhã (quarta-feira 07), apenas três operários do DER, todos com mais de 60 anos de idade, travavam uma luta inglória para tapar os inúmeros e monumentais buracos da AL-435. Eles são funcionários de carreira do órgão estadual e admitiram que, sozinhos, não darão conta do serviço. “Tem de mandar uma empreiteira pra cá. Nunca vi essa estrada desse jeito: é muito buraco”, disse um deles, com idade suficiente para se aposentar.

DER

O DER informou, por meio de sua assessoria, que a ação de tapa-buraco no acesso a Passo de Camaragibe até Porto de Pedras deve ser intensificada tão logo haja condições climáticas favoráveis. “No momento, o órgão está realizando ação emergencial nos trechos mais críticos”, salientou.

O DER esclareceu que finalizou o projeto de implantação de 10,2 km da AL- 435, entre os municípios de Passo de Camaragibe e Matriz do Camaragibe, que já está licitado e se encontra na fase de finalização dos trâmites burocráticos para liberação dos recursos e início da obra, financiada com recursos federais e de emenda parlamentar.

“Já está finalizado o projeto de restauração de 28 km das rodovias AL- 430 / AL-435, no trecho São Luiz do Quitunde / Passo de Camaragibe / Barra de Camaragibe. Esta última obra receberá recursos do BID e está sendo encaminhada para licitação”, informou o Departamento.

Além destas duas obras, o DER também ressalta que está finalizando o projeto da “Estrada Parque Rota Ecológica”, que terá início na foz do Rio Camaragibe, no distrito da Barra de Camaragibe, passando por sítios de coqueiros no município de São Miguel dos Milagres e indo até a foz do Rio Manguaba, em Porto de Pedras.

“O trecho corresponde a 23 km de praias do litoral norte do Estado entre os municípios de Passo do Camaragibe e Porto de Pedras. Também está sendo finalizado projeto para restauração (com melhoramentos e inclusão da 3ª faixa) de 30 km da rodovia AL-101 Norte, no trecho Maceió/Paripueira”, finalizou.

Fonte: Gazeta de Alagoas, edição de 08 de agosto

Prejuízos 

0708 - Buracos AL 435 em Passo do Camaragibe (CR) 02

Malha rodoviária da Rota Ecológica em situação lastimável

Se Maragogi e Japaratinga se destacam no segmento turístico do outro lado do Rio Manguaba, com seus hotéis de grande e médio portes, Porto de Pedras, São Miguel dos Milagres e Passo de Camaragibe despontam no segmento do turismo de charme.

Ali, estão polvilhadas pousadas requintadas, empreendimentos sofisticados com poucas unidades habitacionais e que atraem um público seleto do Sul e Sudeste do País, além de turistas internacionais. Porém, para se chegar ao paraíso denominado de Rota Ecológica é preciso vencer o solo lunático das ALs 430 e 435.

“Eu recomendo aos meus hóspedes que chegam à noite pelo aeroporto de Maceió a dormir na capital mesmo. Prefiro perder uma diária do que submeter o meu cliente a esta estrada terrível, com riscos de acidentes e de ficar incomunicável, porque em grande parte do trecho não há sinal de celular”, diz, revoltada, a presidente da Associação da Rota Ecológica (Areal), Corine Vard, dona de pousada em São Miguel dos Milagres.

Ela conta que os turistas provenientes de Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minhas Gerais ficam impressionados com a situação de abandono a que estão submetidas as rodovias que cortam o Litoral Norte de Alagoas.

“Não pode acontecer uma coisa dessas. Os turistas reclamam demais e não acreditam no que estão vendo”, comentou Corine, recordando que a Areal já fez diversos pedidos ao governo do Estado para que melhore as condições de trafegabilidade das rodovias que singram a região, mas não obteve respostas satisfatória.

“Estradas, acesso, são essenciais para o desenvolvimento de qualquer destino turístico. Aqui não é diferente”, ponderou a diretora-executiva do Costa dos Corais Convention&Visitors Bureau (CVB), Talita Pires.

Daniel Daschuta, proprietário de pousada em Passo de Camaragibe, critica o serviço de tapa-buraco que é feito pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Para ele, é necessário refazer toda a rodovia.

“Tapa-se o buraco hoje e amanhã ele reabre, principalmente agora com as chuvas. Eu mesmo não viajo à noite, porque posso ficar pelo caminho, com um pneu rasgado”, alerta o pousadeiro.

PERIGO

O trecho mais perigoso e esburacado situa-se entre a cidade de Passo de Camaragibe, passando pela Barra de Camaragibe até a praia do Marceneiro. A rodovia é sinuosa e mal sinalizada, o que potencializa os perigos.

“Está horrível! Ninguém tem condições de trabalhar dessa maneira: corta pneu de carro, quebra tudo. A suspensão tem de ser refeita. E piorou agora desde que começou o inverno. Mas sempre foi assim: horrível. Eles tapam os buracos e depois volta tudo novamente”, desabafou o taxista Antônio Gonçalves.

“Por causa dessa buraqueira não dá tempo de eu fazer duas viagens por dia, então só faço uma diariamente, agora”, complementou o profissional do volante.

Fonte: Gazeta de Alagoas, edição do dia 14 de julho – reportagem completa: http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/acervo.php?c=226462

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COMENTÁRIOS
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  1. Pe. Rodrigo Rios

    Recentemente assumi como padre administrador da Paróquia da cidade de Porto de Pedras. Descobri uma riqueza em termos de potencialidade na área do Turismo, contudo, em situação de prejuízo por conta das rodovias em mau estado de conservação. É lastimável saber que a rota ecológica tem um acesso tão difícil. Espero que tenhamos melhorias de forma efetiva o mais urgente possível, e não somente paliativos.

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  2. Renata de Carvalho

    Realmente está complicado transitar por este trecho, sou aluna do Mestrado Dinâmicas do Espaço Habitado na UFAL e meu objeto de pesquisa é a Rota Ecológica. Ir até lá para realizar visitas de campo e pesquisas tem sido uma batalha, devido as péssimas condições da rodovia. Espero que alguma providência seja tomada!

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