Trilha do Visgueiro, o início
   Severino  Carvalho  │     8 de dezembro de 2012   │     0:32  │  0

Abaixo, para finalizar a série de postagens sobre a Trilha do Visgueiro, publico a matéria que abriu a reportagem especial publicada na Gazeta de Alagoas, edição do dia 2 de dezembro. De quebra, mais um registro fotográfico deste encatador passeio.

 

A grandeza do Visgueiro (Fotos Severino Carvalho)

Em 1997, quando as 42 famílias de agricultores receberam do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a imissão de posse do Assentamento Água Fria, a 17 quilômetros do centro de Maragogi, já existiam picadas abertas dentro de um remanescente de Mata Atlântica naquele núcleo rural. Esses caminhos tortuosos eram chamados de “arrasto”. E não por acaso. Ali passavam, puxadas por tração animal, toras e mais toras de espécies nativas ceifadas e utilizadas comumente por uma usina de cana-de-açúcar, detentora das terras, para a construção de pontes instaladas ao longo das estradas de chão batido por onde escoava o grosso da produção canavieira.

O passado ficou pelo caminho. Os cascos dos animais de tração não pisoteiam mais a terra viçosa da mata. Sobre o tapete de folhas caídas, agora passeiam plácidos e despretensiosos pés ao som de uma sinfonia de pássaros silvestres. A rota foi corrigida graças a um grupo de assentados que, unidos através da Cooperativa dos Pequenos Agricultores Organizados (Coopeagro), criaram a Trilha do Visgueiro, uma liga que funde preservação ambiental e geração de renda.

A criação do passeio em 2004 descortinou um Maragogi rural, fértil em atrativos turísticos, mas pouco aproveitado, apresentando-se como uma alternativa ao binômio “sol e mar” que se espraia pelo belo litoral do município. Gerida em parceria com a Associação das Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus e financiada pela entidade italiana sem fins lucrativos denominada “Província Autônoma de Trento”, a Coopeagro capacitou oito agricultores do assentamento, instalou condições básicas de infraestrutura ao longo do trajeto e divulgou o atrativo junto ao trade turístico.

O auge

A Trilha do Visgueiro vivenciou seu auge entre 2007 e 2008, mas a crise mundial que veio em seguida fez diminuir as viagens internacionais ao Brasil e, consequentemente, a Maragogi. “Nosso público principal era formado por turistas estrangeiros, principalmente os europeus. Isso fez diminuir muito os passeios”, recordou o agricultor Geraldo Cândido de Oliveira, 49 anos, que atua como guia. “A maior parte dos agricultores envolvidos no projeto desanimou e saiu, mas eu continuo. A trilha, para mim, significa preservação, complemento de renda; vida também. Com educação ambiental, poderemos mudar muita coisa aqui no assentamento e todos sairão ganhando”, declarou Geraldo.

Apesar das dificuldades, a Trilha do Visgueiro permanece ativa, resistente como a árvore que lhe emprestou o nome. O roteiro é comercializado por uma agência de viagens, pousadas e pela própria cooperativa.

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