Turismo de observação do peixe-boi é atração em Porto de Pedras
   Severino  Carvalho  │     23 de outubro de 2012   │     0:32  │  0

O passeio começa com uma caminhada por entre o manguezal numa trilha suspensa (Fotos: Carlos Rosa)

O mamífero aquático  mais ameaçado de extinção no Brasil encontrou na Costa dos Corais alagoana o seu refúgio. Foi no estuário do Rio Tatuamunha, em Porto de Pedras, que o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), instalou o cativeiro de readaptação do Projeto Peixe-Boi Marinho.

Animais debilitados, resgatados depois de encalhes ao longo do litoral nordestino, são levados à sede do projeto, na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco. Depois de reabilitados, os bichos são levados ao Rio Tatuamunha onde passam por um processo de readaptação até serem devolvidos à natureza.O projeto Peixe-Boi Marinho tem 30 anos de atuação nas áreas de resgate e reabilitação de filhotes órfãos e, desde 1994, tem realizado a reintrodução e o monitoramento desses animais. A instalação do cativeiro nas águas do Tatuamunha, porém, gerou, inicialmente, um grave problema socioeconômico aos ribeirinhos que se viram impedidos de realizar a pesca de subsistência.

“Os pescadores estendiam as redes de uma margem à outra e iam fazendo o cerco. Quando se davam conta, lá estava o peixe-boi no meio. Ao tentar tirar o bicho de dentro das redes, os demais peixes escapavam. Os pescadores ficavam revoltados com a situação e até agrediam o animal”, recorda a condutora de passeio turístico Carla Vergínia.

O bicho que veio para “atrapalhar” a vida dos pescadores, hoje é um aliado dos ribeirinhos. Capacitados e credenciados pelo CMA /ICMBio, 20 condutores e outros 22 remadores sobrevivem realizando, diariamente, o turismo de observação do peixe-boi. O blog embarcou numa jangada a remo e seguiu viagem pelas águas mansas do Rio Tatuamunha, adornada por bastos manguezais.

Peixe-boi se aproxima de embarcação e oferece as boas-vindas

Os condutores / remadores estão organizados em associação. A sede fica no povoado de Tatuamunha, à rua José de Moraes Mendonça. Ali, o turista adquire, por R$ 35, o bilhete numerado para o passeio. São apenas dez viagens por dia e 70 visitantes, no máximo. As regras do turismo de observação estão fixadas por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual, firmado em 2010.

O objetivo foi preservar o animal, livrando-o do assédio do público, que antes tocava-o e alimentava-o. Este processo de domesticação pode gerar sérias consequências ao peixe-boi, tornando ainda mais difícil sua adaptação ao meio natural.

“Usamos barcos a remo para não fazer barulho e incomodar o bicho. Daqui só podemos levar lembranças e fotografias”, alerta a condutora. Para chegar até o embarque, o visitante tem de percorrer cerca de 500 metros sobre uma passarela de madeira suspensa, bem no meio do manguezal. A natureza, ao redor, faz a caminhada ainda mais prazerosa.

A jangada é conduzida por dois remadores, enquanto a condutora, que atua como guia, vai dando as instruções e informações. O passeio dura cerca de 1h20. Carla conta que no Litoral Norte de Alagoas, entre Maragogi e São Miguel dos Milagres, existem 14 animais, quatro deles encontram-se ainda dentro do cativeiro de adaptação, onde recebem uma alimentação balanceada, à base de capim-agulha, cenouras e beterraba. Há ainda um número não conhecido de peixes-bois selvagens. Tanto estes como os reintroduzidos são extremamente doceis.

Peixe-boi Aldo repousa submerso à margem do Rio Tatuamunha, em Porto de Pedras

O peixe-boi adulto pode atingir 4 metros de comprimento e pesar de 400 kg a 600 kg. Vive em média de 50 anos. A gestação, de apenas um filhote, ocorre de 13 a 14 meses. Quando a embarcação chega ao cativeiro de readaptação, logo um dos animais se aproxima. Ele põe uma das nadadeiras sobre a jangada, como que dando as boas-vindas. Os turistas preparam as máquinas e começar a fotografar. É proibido usar flash. No remanso, próximo de uma das margens, Aldo,  um peixe-boi de aproximadamente dois metros, só quer saber de sombra e água fresca: permanece imóvel o tempo todo, como se hibernasse.O condutor Platini Fortunato revela que as chances de se fazer o passeio e encontrar ao menos um dos animais no estuário do Tatuamunha é de 50%. Por isso, alguns turistas saem frustrado por não ter avistado o peixe-boi, mas, confesso que só o passeio de jangada, singrando o Tatuamunha, por entre os viçosos manguezais, já vale o ingresso.

Serviço:

Associação Peixe-Boi, Turismo de Observação

Rua José de Moraes Mendonça, s/n, Tatuamunha, Porto de Pedras

Telefone: (82) 3298-6247

 

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