Vale do São Francisco, o “terroir” perfeito à produção de vinhos tropicais
   Severino  Carvalho  │     2 de outubro de 2012   │     16:32  │  0

Quando se fala na produção de vinhos, logo nos vêm à mente as regiões frias do globo terrestre. Mas, foi nas terras quentes e férteis do Vale do São Francisco que abnegados empresários portugueses encontraram o terroir perfeito para formular vinhos excêntricos e de caráter internacional. Instalada no município de Lagoa Grande (PE), a Vitivinícola Santa Maria produz, há nove anos, vinhos tropicais e espumantes de excelente qualidade e que já renderam prêmios nacionais e internacionais à empresa.

Durante o Festival Gastronômico da Lagosta de Maragogi e Japaratinga, realizada em setembro, o Blog entrevistou o diretor da Santa Maria, João Santos. Num bate-papo descontraído, ao sabor do moscatel Rio Sol – medalha de ouro no Concurso Nacional de Espumantes em 2011, ele nos fala um pouco do ousado projeto em terras brasileiras e de como é possível produzir excelentes vinhos no semi-árido nordestino.

Rio Sol Brut Rosé – medalha de ouro no Concurso Mundial em Bruxelas (2010) e Rio Sol Moscatel, medalha de ouro no Concurso Nacional de Espumantes (2011)

Nos últimos nove anos, revela Santos, foram investidos mais de R$ 2 milhões em pesquisas para se atingir o grau de qualidade desejado pela empresa. O diretor começa desmistificando a ideia de que só as regiões frias têm os melhores solos para a produção de vinhas. “A uva sempre gostou de terreno pobre, onde não chove, porque a chuva é o que estraga a uva”, observou.

“Portanto, decidimos nos instalar no semi-árido, quente e seco, e com uma terra pobre, mas que, com tecnologia, nos permite produzir excelentes vinhos. Lógico que é preciso irrigar, mas isso o Vale do São Francisco nos permite”. A Santa Maria possui hoje 200 hectares plantados de uvas e oferta 150 empregos diretos. As vinhas, selecionadas, foram trazidas de Portugal. Tamanha dedicação já rendeu prêmios de excelência à empresa nos últimos anos.

“Acreditamos que o Vale do São Francisco seja a melhor região do Brasil para produzir vinhos. Estamos a produzir um vinho tropical e no mundo inteiro não existe um vinho tropical, então, podemos fazer essa diferença: o Brasil tem o melhor vinho tropical do mundo e ele é nordestino”, comemora.

Santos: “Em termos de saúde, o melhor vinho do mundo hoje é o nordestino”

Santos conta que ao iniciar o projeto, deu-se preferência aos tintos, porque acreditava-se que seria o vinho mais vendido no Brasil. Mas, nos últimos anos, o espumante caiu no gosto do brasileiro o que fez a empresa rever seus conceitos. “Começamos a produzir espumantes há cerca de 5 anos e incrível que nós, nesse período, já conseguimos ganhar o concurso de melhor espumante rosé do Brasil e ganhar, este ano, o melhor espumante moscatel do Brasil. Isso concorrendo com 700 vinícolas e algumas delas com mais de 100 anos”, citou.

Para Santos, definitivamente, o Nordeste pode produzir grandes vinhos. “Hoje em dia, continua vindo muito vinho argentino, muito vinho chileno, espanhol e português, mas não existe vinho nordestino na mesa dos nordestinos, nem nos restaurantes, nem nos hotéis. E o turista espera por isso”, afirmou.

Em se falando dos benefícios à saúde, o vinho produzido no Nordeste é o que reúne as melhores características medicinais, garante Santos. “As pessoas acreditam que o vinho tem de ser estrangeiro, mas estão a cometer um grave erro. Primeiro, porque em termos de saúde o melhor vinho é o do Nordeste. Está comprovado cientificamente que o vinho do Nordeste tem seis vezes mais antioxidantes de qualquer vinho produzido em outra parte do mundo. E por quê? Porque estamos a produzir um vinho perto da linha do Equador onde a planta cria muito mais antioxidantes. Em termos de saúde, o melhor vinho do mundo hoje é o vinho nordestino”, sentenciou.

Santos tece, ainda, uma crítica aos produtos importados, muitos deles de baixa qualidade, o que faz o brasileiro comprar gato por lebre. “Repare que para baixar os preços, os vinhos internacionais também baixaram muito a qualidade. Então, existem vinhos péssimos importados e o brasileiro continua a consumir achando que estão a comprar um grande vinho. Ao contrário, a maior parte dos vinhos importados a preços baixos é de má qualidade. E tem vinho brasileiro muito melhor do que esses vinhos importados. Por isso, peço a quem estar a ler, que consuma um vinho brasileiro e prove sem preconceito, porque o grande problema ainda é o rótulo”, finalizou.

A Vitivinícola Santa Maria dispõe de um receptivo que oferece visitas técnicas, jantares harmonizados e degustação de vinhos. Mais informações pelo site:

  www.vinibrasil.com.br

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