Gerando frutos
   Severino  Carvalho  │     27 de agosto de 2012   │     15:41  │  0

O mamífero aquático mais ameaçado de extinção no Brasil encontrou seu refúgio nas águas mornas e calmas do Litoral Norte de Alagoas. A área foi escolhida pelo Projeto Peixe-Boi Marinho para conservar a espécie que, no passado, povoava  grande parte do litoral brasileiro. O projeto é gerenciado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Dezoito anos depois da primeira reintrodução em ambiente natural, Lua, uma fêmea da espécie, deu a luz ao primeiro filhote na APA Costa dos Corais, maior unidade de conservação marinha do País .

Lua e filhote passeiam juntos nas águas da APA Costa dos Corais

O nascimento ocorreu há seis meses, mas só agora a “boa-nova” foi anunciada. Temia-se que o rebento não vingasse, mas ele vingou. Lua, com mais de meia tonelada e 21 anos de idade, é mãe zelosa, cuida de seu filhote no litoral de Japaratinga, onde encontra paz e alimento à vontade. No final deste ano, uma equipe do CMA fará o manejo dos animais. Eles serão submetidos à exame clínico, quando conheceremos o sexo dos filhotes. Em junho, no Litoral Sul do Estado, no Complexo Lagunar do Roteiro, Tuca, outro exemplar da espécie, também pariu. Mãe e filhote passam bem.

Os nascimentos estão sendo festejados efusivamente pelos técnicos do projeto, uma vez que o processo de reprodução e conservação do peixe-boi marinho é muito lento. O sucesso depende de uma série de fatores, sobretudo ambientais. “Muitas vezes, a sociedade espera um resultado imediato, a curto prazo, mas não dá para imaginar que teremos sucesso dessa forma, com uma espécie que tem um filhote de cada vez e que passa de três a quatro anos para se reproduzir. E cuja cria tem uma dependência muito grande da mãe e dificuldades para se adaptar ao ambiente natural”, observa Ulisses Santos, analista ambiental do CMA.

Atualmente existem 26 animais, entre machos e fêmeas, vivendo em liberdade nas águas do litoral alagoano. Eles foram resgatados, reabilitados e devolvidos à natureza pelo Projeto Peixe-Boi Marinho, que possui 30 anos de atuação. Na Costa dos Corais, esses bichos simpáticos e dóceis são também fonte de renda para famílias de pescadores e jangadeiros.

Organizados em associação e credenciados pelo CMA e ICMBio, eles promovem passeios diários que possibilitam o turismo de observação.  Tudo, porém, funciona atendendo a regras que visam, sobretudo, evitar a interação humana com os bichos e possíveis impactos à espécie. São dez passeios diários e, no máximo, 70 visitantes por dia. Na alta estação, formam-se listas de espera. Os animais são a prova viva de que turismo e meio ambiente podem conviver harmonicamente e ainda gerar frutos.

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