Turismo se faz com boas estradas
   Severino  Carvalho  │     6 de agosto de 2012   │     15:08  │  1

As obras de implementação asfáltica da AL-460, interligando os municípios de Porto Calvo e Porto de Pedras, no Litoral Norte do Estado, que já seguiam a passos lentos, quase parando, agora se encontram paralisadas. Trata-se da única obra rodoviária tocada com recursos do Ministério do Turismo (MTur) em toda a Costa dos Corais, por meio de convênio com a prefeitura de Porto de Pedras. O empreendimento, que já se arrasta há quatro anos, tem por objetivo, justamente, integrar a região turística, considerada o segundo maior pólo hoteleiro do Estado. O assunto foi tema de reportagem da Gazeta de Alagoas, caderno de Municípios, deste domingo.

A pavimentação de 22,6 quilômetros beneficiará uma população de aproximadamente 100 mil pessoas, que precisam se deslocar entre os municípios de Maragogi, Japaratinga, Porto de Pedras, Porto Calvo e Matriz de Camaragibe, reduzindo as distâncias.  Além da pista, o projeto, orçado em cerca de R$ 70 milhões, prevê a construção de uma grande ponte sobre o Rio Manguaba, entre Japaratinga e Porto de Pedras e outros três pontilhões. A travessia hoje é feita por jangadas e balsas; já o serviço deixa, e muito, a desejar. A demora e os altos preços das tarifas são as maiores reclamações dos usuários.

Pontilhão à espera do asfalto que não chegou

Até agora, já foram liberados R$ 36,5 milhões para execução da obra, mas apenas 17 quilômetros encontram-se asfaltados de forma rudimentar. A obra foi licitada em 2006 e a execução teve início em 2008. Como se isso não bastasse, outros serviços de recuperação de rodovias estaduais, que cortam a Costa dos Corais, também estão paralisados. São elas: AL-430, AL-465 e AL-101 Norte. Estas rodovias estão sendo recuperadas através de convênio firmado, em 2010, entre o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Se no caso da AL-460 a chuva foi responsável pela paralisação, a interrupção dos trabalhos na 430, 465 e 101 Norte foi uma determinação da Controladoria Geral da União (CGU), que bloqueou a liberação dos recursos, mais de R$ 44,4 milhões. Motivo: a verba do Programa da Reconstrução só poderia ser aplicada nas 19 cidades atingidas pelas enchentes de 2010.

O caso está na Justiça Federal. O DER alega, em sua defesa, que as rodovias citadas foram sim impactadas durante as chuvas de 2010, sobretudo em razão da mudança de tráfego pesado desviado da BR-101 por causa do desabamento de duas pontes no município pernambucano de Palmares. Enquanto a decisão não sai, o DER fica impedido, também, de fazer qualquer remendo nessas estradas e a buraqueira só se avoluma.

Turismo se faz com uma rede hoteleira bem estruturada e com atrativos, principalmente os naturais, e isso a Costa dos Corais tem de sobra. Agora, para o turismo acontecer de verdade é preciso boas estradas e administradores comprometidos com a causa.

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