Da terra, o marisco
   Severino  Carvalho  │     5 de agosto de 2012   │     15:09  │  2

Domingo. Os ponteiros correm para se encontrar no ponto superior do relógio. É meio-dia e bate aquela fome. Se o leitor está em Maragogi e deseja saborear algo da terra, literalmente, corra para o restaurante mais próximo e peça uma saborosa mariscada. Nossa dica é o Restaurante do Mano, um dos mais tradicionais do município, localizado no distrito de São Bento. Para chegar até lá, é fácil. É só seguir pela AL-101 Norte. Após a lombada eletrônica, no sentido Maceió / Recife, ingressar por uma vicinal e saíra em frente ao restaurante. Se preferir outras iguarias praianas também encontrará ali: lagosta, peixes diversos e polvo.

A seguir, reproduzo trechos da reportagem que fiz, publicada na Gazeta de Alagoas, que retrata um pouco da “cultura do marisco” e o que este molusco representa para a culinária e a economia de Maragogi.

Marisqueiras levam para casa molusco tirado das areias de São Bento

O labor

Quando a maré baixa, um exército de saias ganha as praias de São Bento. O reflexo da luz solar no espelho d’água que se forma sobre a areia ainda molhada gera um contraste luminoso que apaga as identidades e revela as marisqueiras num labor centenário característico do distrito de São Bento, o mais populoso de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas.

Os mariscos, dentre eles a taioba e o maçunim, são fontes de renda e proteína para mais de 200 catadoras que diariamente curvam-se para, com as mãos, arrancar da areia o sustento. Uma porção de 500 gramas custa, normalmente, R$ 5, mas em períodos como a Semana Santa chega a ser vendido a R$ 10.

Na terra do marisco, a iguaria não poderia faltar na mesa de bares e restaurantes de Maragogi, seja em forma de caldinho, servido como petisco, ou ao molho de coco numa deliciosa refeição de lamber os beiços. Fundado há 42 anos, o Restaurante do Mano é um dos mais tradicionais de todo o município de Maragogi, encravado à beira-mar do distrito de São Bento.

O estabelecimento serve a iguaria que é comprada ali mesmo, fresquinha, vendida na porta pelas marisqueiras, temperando a chamada “economia solidária”. O marisco ao molho de coco serve até três pessoas e vem acompanhado de pirão (feito do próprio maçunim), arroz e salada. “É o nosso prato típico. São Bento é a única praia onde existe marisco em quantidade e dos bons”, afirma a garçonete e cozinheira Rasâgela Perez, 36 anos.

O segredo, revela, está no molho, feito com coco in-natura, ralado na hora. “Isso deixa o caldo bem mais cremoso”, revela, para depois relatar os cuidados na hora de limpar os mariscos. “É preciso deixá-lo bem limpinho, sem nenhuma areia. Tem gente que fica com receio porque come por aí e é surpreendido com pedrinhas na comida”.

Além de provar da culinária regional, o cliente que chega ao restaurante pode ainda ter o prazer de “prosear” com o proprietário, Manoel Farias do Carmo, o “Mano”, um simpático senhor de 73 anos de idade, um dos mais antigos moradores de São Bento. Longevidade não quer dizer, porém, que Mano esteja desatualizado. Recentemente promoveu uma grande reforma em seu estabelecimento.

“A concorrência ta aumentando! Maragogi ta crescendo e atraindo muita gente nova para o ramo. Tenho de cuidar do meu negócio”, conta, sorrindo, Mano. Ele lembra que já foi indicado, por várias vezes, pelo Guia Quatro Rodas, que seleciona e classifica hotéis, restaurantes e passeios em todo o País.

Serviço

Restaurante do Mano

Rua Simeão R. de Albuquerque, S/N, São Bento – Maragogi-AL.

Telefones: 82 3296-7106 / 9185-6730

 

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COMENTÁRIOS
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  1. Valquíria da Paz

    Domingo, 5 de agosto, em Maricá

    É difícil falar alguma coisa, diante de um texto tão gostoso quanto o prato que está sendo apresentado!
    Tem a ver com a nossa cultura alagoana tão bem feita, tão sofisticada
    Assim como a nossa arte de conversar degustando as palavras, reassaltando as pausas.
    E a arte de cozinhar conversando, trocando receitas, esperimentando.
    Ritualizando a sofisticação a qualidade e o afeto dos encontros conversando, contando e degustando a vida.

    Continue, Severino Carvalho!

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